segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Indissolubilidade. Matrimônio sacramental.


O matrimônio e a fidelidade.

Diante da “praga de divórcios” que se alastra, também, entre os crentes da Igreja Católica surgem questionamentos acerca do futuro. Aonde vamos chegar? Já existe um grande número de crentes que vêm para as Celebrações, mas não participam da Comunhão Sacramental... E o que será daqui a 20 anos, se não houver a mudança? Será que seja correto “modernizar-se” buscando recursos para “legalizar” conflitos conjugais permanentes?
Deve se lembrar que, o Direito Canônico da Igreja afirma, que a aliança conjugal, através da qual o homem e a mulher constituem uma comunidade por toda a vida, foi elevada por Cristo a dignidade do sacramento. Além disso, Jesus, em seu ensinamento, apontava categoricamente para o sentido original da relação entre o homem e a mulher, como o Criador quis desde o começo (cân 1055).
Assim, Jesus anulou permissões que se infiltraram na Lei Mosaica, permitindo o rompimento do vínculo matrimonial. Portanto, a união matrimonial do homem e da mulher é inseparável; o próprio Deus a implementou: “Portanto, o que Deus uniu, o homem não separe” (Mt 19,6).
Essa explícita afirmação acerca da indissolubilidade do matrimônio causou embaraço entre os apóstolos de Jesus. Se sentirem desorientados, assim, como muitos se sentem hoje, pois aquilo lhes parece ser uma exigência irreal (Mt 19,10).
Cristo, no entanto, não sobrecarrega os cônjuges com um jugo impossível de ser carregado. Restaurando a ordem original da criação, corrompida pelo pecado, o Filho de Deus dá força e graça para viver o matrimônio, para vivenciá-lo na dimensão do Reino de Deus (Deus ou nada, Card. R.Sarah). “Vinde a mim, todos vós que estais cansados e sobrecarregados...” (Mt 11,28-30)
Seguindo a Cristo, renunciando a si mesmos, tomando a sua cruz de cada dia, os esposos conseguirão entender o significado original do matrimônio e vivenciá-lo com ajuda de Cristo. A graça do matrimônio cristão é um dos frutos da cruz de Cristo (Deus ou nada, Card. R.Sarah).


A realidade e as ideias. Fuga da realidade.


Fuga da realidade 

Em nossos dias se valoriza e supervaloriza os relacionamentos virtuais, através de redes sociais. Sem dúvida, são importantes, mas não podem servir como fuga da realidade. Na Exortação Apostólica “Evangelii Gaudium”, em número 231, o Papa Francisco chama a atenção para a importância da realidade
Afirma que a realidade é mais importante que quaisquer ideias mais brilhantes: “Existe também uma tensão bipolar entre a ideia e a realidade: a realidade simplesmente é, a ideia elabora-se. Entre as duas, deve estabelecer-se um diálogo constante, evitando que a ideia acabe por separar-se da realidade. É perigoso viver no reino só da palavra, da imagem, do sofisma. Por isso, deve ser postulado um terceiro princípio: a realidade é superior à ideia. Isto supõe evitar várias formas de ocultar a realidade: os puritanismos angélicos, as ditaduras do relativismo, a retórica vazia, os projetos mais formais que reais, intelectualismos privados de sabedoria os fundamentalismos anti-históricos, os eticismos sem bondade, os intelectualismos sem sabedoria”.
As ideias, se não confrontadas com a realidade, podem tornar-se causas de conflitos, equívocos, terrorismos, etc. 


quarta-feira, 18 de julho de 2018

Pró-Vida. Mary Wagner. Cultura da morte.

UM ESCÂNDALO !!!
Já faz tempo que estamos recebendo notícias sobre as atitudes corajosas da canadense, Mary Wagner, defensora da vida. Pessoalmente, estou acompanhando os acontecimentos que envolvem a Mary, desde que foi presa em 2015. Nestes últimos dias, ouvimos que novamente foi presa e condenada. O tribunal de Toronto (Canadá) emitiu uma terrível sentença de 7,5 meses de prisão pela insistente defesa da vida. O juiz a classificou como uma “criminosa serial”, por ter infringido 14 vezes, durante 18 anos, a decisão judicial, que lhe proibia aproximar-se às clínicas abortistas. O que está acontecendo é uma barbaridade num país que se diz "democrático".
No final de contas, a Mary não fazia nada de errado. Ela apenas ficava ali, em frente dos centros de aborto para aconselhar as mulheres e lhes entregar rosas. Em nenhum momento ela tentava impedir o acesso dessas mulheres ou as força-las a não praticar o aborto. Por isso, se declarou inocente e afirmou não ter violado as condições do julgamento anterior. Naquela ocasião ela disse: Eu cumpro a lei, mas se a lei é injusta, então nós, como cidadãos, temos o dever de fazê-lo e não cumprir esta lei...  E ainda: Sinto-me obrigada a ir ao centro de aborto, para proteger os nascituros e fazer, o que estiver ao meu alcance, para achegar aos corações de suas mães... Sem dúvidas, as leis absurdas, anti-vidas, contrárias a Lei Natural não devem ser cumpridas, independentemente da região geográfica.
No mundo inteiro avança, como uma praga, a legalização do aborto. Se alastra, como uma verdadeira peste. Os promotores da “cultura da morte”, em nome da “lei”, criada para perseguir e punir a todos, que promovem a cultura da vida. É uma verdadeira luta entre a vida e a morte, entre a luz e as trevas, entre a verdade e a mentira, entre o racional e irracional...  Uma verdadeira luta pela vida e um belo testemunho, que muitas vezes, como no caso de Mary, é acompanhado pelas consequências drásticas.
A mim, me preocupa muito a moral da sociedade moderna. Não só da canadense. Aqui, no nosso Brasil, não é melhor, não, ainda que, por agora - não vimos algo parecido. Como o ser humano pode ser insensível, assim??? Será que realmente houve uma “lavagem cerebral” em massa, para alguém com diploma dum curso superior, chegar a afirmar que um embrião não é ser humano? Que ele só será uma pessoa depois do parto??? Ou talvez, esta seja uma opção de fingir a ignorância, iludindo-se estar isento da culpa?
Como se pode não reagir e não protestar contra tamanha injustiça? Será que os governantes, de qualquer nação, licitamente podem fazer o que quiserem? Como pode-se condenar ou ridiculizar uma pessoa que, simplesmente, cumpre o seu dever moral e defende uma vida? Num mundo civilizado, quem deve ser punido é aquele que atenta contra a vida e não quem a defende!
Os absurdos chegaram ao máximo! Os governos corruptos, desumanos e gananciosos para receber subsídios das organizações “humanitárias” internacionais, instituem leis contrárias ao bom senso, aos conhecimentos científicos e a Lei Natural, concordando com o extermínio de vidas inocentes... E tudo isso, com o consentimento silencioso da sociedade - também dos cristãos, que como no Brasil constituem a maioria da população! A vida humana não tem preço! Além disso, não existem razões nenhumas, que justifiquem o assassínio dum ser humano.
Não há como discordar, e não é exagero nenhum, em comparar tais leis, seus promotores, defensores e cumpridores, aos nazistas condenados unanimemente pelo mundo inteiro, como disso o Papa Francisco aos 18 de junho passado. No entanto, até mesmo, os nazistas não exterminaram tantas vidas inocentes que a indústria do aborto... E tudo isso, em nome de...??? Só pode existir uma resposta. Em nome do Inferno. Em nome do Grande Vazio que, até quando lhe for permitido, vai devastando a Obra de Deus.
A Igreja, o Corpo Místico de Deus (1Cor 12,12-14), por ser da origem Divina, não pode não defender a vida. Ela vai continuar exortando e ensinando, que não é progresso nenhum a prática do aborto, o extermínio de vidas inocentes - independentemente da sua origem, idade ou estado de saúde. Antes, vai conscientizando, que este proceder, é um regresso civilizacional e um crime.
A humanidade vem seguindo o rumo perigosíssimo. Em vez de cultivar o humanismo, a promoção de vida, em todas as suas dimensões, o mundo orienta-se para o desumanismo...  Promove uma verdadeira “cultura da morte”. Isto não é apenas triste. É trágico! Nenhum crente de Deus, seja qual for a sua denominação religiosa, pode ficar indiferente. “Quem não está comigo está contra Mim” (Mt 12,30) disse Jesus. Estas palavras, no contexto em que a vida está sendo destruída e seriamente ameaçada, adquirem um sentido crucial, decisivo. Não pode ser de Deus (e esperar a vida eterna com Ele) quem se coloca contra a vida ou fica indiferente para com ela (só Deus é a origem de toda a vida).
Está na hora, de não só manifestar a solidariedade com esta verdadeira heroína, Mary Wagner, mas também, tomar atitudes, que passem além do comodismo e dos interesses pessoais...



Leitura Recomendada: DEUS ou NADA


"DEUS ou NADA" - um livro excepcional!

Cardeal Robert Sarah nasceu no interior africano. É um dos mais próximos colaboradores do Papa Francisco. É Presidente da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos. Ao longo de uma entrevista exclusiva, concedida ao Nicolas Diat, o cardeal, apresenta suas reflexões e convicções sobre a Igreja, os papas, Roma, o mundo moderno, a África, o Ocidente, a moral, a verdade, o mal e Deus.
Segue um trecho do livro:

"Os apóstolos foram objeto de grandes e diversos tipos de violência. O Filho de Deus disse aos seus discípulos que nunca terão a paz nesta terra. A única maneira de alcançar a vitória nesta grande luta, é unir-se a Deus. Os cristãos não serão capazes de superar os desafios colocados pelo mundo, se recorrerem aos instrumentos políticos, aos direitos humanos ou a respeito da liberdade religiosa. A única rocha verdadeira dum batizado é a oração e o encontro com Jesus CristoAs pessoas firmes na oração são inafundáveis. Jesus iniciou o seu ministério público, depois de quarenta dias de oração no deserto, e terminou a sua vida, com um grito, que é a última oração: "Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que estão fazendo" (Lc 23,34).

Onde comprar:
https://www.quadrante.com.br/deus-ou-nada-entrevista-sobre-a-fe
https://www.saraiva.com.br/deus-ou-nada-entrevista-sobre-a-fe-9353091.html

sexta-feira, 13 de julho de 2018

O Grande Vazio. Avanço do Mau. Ideologia do gênero. Masculino e Feminino.


Ameaça real do Grande Vazio
Antigamente... tudo era diferente... É. Realmente, o mundo está evoluindo sem cessar, com isso, é óbvio que o passado não voltará. O presente, difere do passado, ainda que, mais nitidamente, isto seja perceptível da perspectiva do tempo. No entanto, é indiscutível, que as mudanças no mundo moderno acontecem muito rapidamente. Nesta postagem, queremos refletir sobre estas mudanças e suas influências na vida do homem de hoje e do “amanhã” (não se pode desconsiderar o futuro; só o faz, um egocêntrico).
Sem dúvida, não é fácil fazer uma apresentação que agrade os “gregos e os troianos”. Uns irão lamentar o mundo de “antigamente” e outros vão se encantar com o de hoje, e do futuro, que imaginam ser promissório. Ora, a história da humanidade é uma lição de vida, para quem sabe enxergar e pensar.... Pelo que, sem dificuldade, pode-se notar o caminho da humanidade não segue a melhor das opções possíveis. As degradações de diversos valores (a começar pela alimentação) e em diversos níveis da vida, são perceptíveis sem dificuldade.
Será que por acaso, em nome do progresso e do “bem” do ser humano, deprecia-se o passado, chegando a rejeitar as raízes da civilização cristã, nas quais se encontra a nossa identidade e a chave para compreender e assumir o “hoje”? Estão sendo questionadas e destruídas as bases nas quais o nosso mundo se apoiava, até agora.
O homem moderno dispõe de inúmeros recursos que podem fazer a sua vida mais bela, e enquanto isso..., vive agitado, estressado, cansado, numa correria insuportável. Não tem tempo para a família, para si mesmo (até, para descansar e/ou pensar no sentido das suas correrias), não é capaz de ser criativo... Deus? Ah, sim, eu creio. Creio, mas não participo da Igreja”...
Será que pode-se crer e não participar? Será que “em nome da paz” (subjetiva) é lícito conformar-se com as investidas maléficas das instituições governamentais e organizações multinacionais? Pode-se ficar calado quando a vida (desde a concepção até a morte natural) está sendo ameaçada e/ou destruída? Quando o materialismo, o hedonismo e a depravação, tentam invadir a vida pública, as escolas e até, os nossos lares? Não seria isto a compactuação com o mal?
Estas perguntas são importantes. Se os crentes quiserem tratar a fé como uma relíquia sem a vida, ou como recordações sentimentais, se tornariam turistas religiosos (a língua inglesa cunhou para este comportamento o termo churching), que curiosos “assistem”, mas não se comprometem com nada. Seguem o seu próprio rumo. Um visitante não é de casa. Ele mora num outro lugar... Está aqui, porque lhe “deu a vontade”...
Imagino, que todos compreendam de que não se pode viver satisfazendo somente seus gostos e caprichos. Se assim for, o espírito da carne (Jo 6,63; Gal 5,16-17) seria alimentado e não deixaria de agir ao espírito divino. O Catecismo da Igreja Católica (675) nos adverte que devemos ser atentos e decididos: “Antes do advento de Cristo, a Igreja deve passar por uma provação final que abalar a fé de muitos crentes. A perseguição que acompanha a peregrinação dela na terra" desvendará o "mistério de iniquidade" sob a forma de uma impostura religiosa que há de trazer aos homens uma solução aparente a seus problemas, à custa da apostasia da verdade. A impostura religiosa suprema é a do Anticristo, isto é, a de um pseudo-messianismo em que o homem glorifica a si mesmo em lugar de Deus e de seu Messias que veio na carne”.
Está chegando a hora, e na verdade já chegou, em que os que realmente são de Deus, se levantarão com coragem, para enfrentar as investidas do mal. Será o testemunho de que o mundo realmente necessita. Os demais “crentes” (ocasionais e convencionais) irão se esconder e esperar o resultado deste confronto, com o dragão da modernidade, que procura submergir a humanidade em todo tipo de impureza (Ap 12,3-4).
Quem insistir em evocar o passado, as raízes da nossa história, pode ser questionado, ridiculizado e criticado. Considerado pretensioso e petulante. Em nome de que, apelar ao passado? Certamente, não em nome do saudosismo ou da defesa dum mundo fora de moda. Os que não deixam iludir-se com as ideologias de origem neomarxista, acreditam que a base do funcionamento da sociedade é a família: mãe, pai, filhos, avós e parentes. Uma bela comunhão, que abrange três ou mais gerações que se preocupa em manter os valores, repassados pelos ancestrais. Acreditam na diversidade e complementariedade do homem e da mulher, assim como Deus os criou. Percebem e desmascaram a intenção do Inimigo, que por meio das mencionadas investidas, procura destruir a identidade humana do indivíduo e da família (sinal de Deus Comunidade no mundo) e, enfim, destruir o mundo, a Obra de Deus, que o incomoda tanto.
Recentemente desmascarada, a insensata “ideologia de gênero” vem destruindo a divisão natural do ser humano, em dois sexos complementares. Há muita insegurança e desorientação neste campo, sobretudo na nova geração. Não é normal, que os casais tenham medo de ter filhos! Propaga-se, desde a idade escolar, que é necessário se proteger, para anão ter filho, como diante duma ameaça...
Outro fato, muito estranho, são os homens (o masculino) que se deixam feminizar. Hoje, raramente pode-se encontrar um “homem guerreiro”, que luta pelos valores, até arriscar a própria vida. É mais fácil o encontrar “no sofá”... (como falava papa Francisco no JMJ, no Rio de Janeiro). O masculino moderno deixou-se confundir pelos antivalores morais e se acomodou... Deixou de acreditar em suas próprias habilidades masculinas e, contentando-se com o minimalismo.... Cadê os homens-guerreiros??? Quem vai enfrentar o dragão da modernidade?
A guerra, iniciada pelo Grande Vazio, continua, como acabamos de ver acima, no texto do Catecismo. Acontece, sobretudo, na dimensão espiritual, no interior do ser humano. Por isso, é preciso ter a consciência de que o principal ataque do Maligno (Grande Vazio) visa a desmontagem da identidade e dos princípios básicos da pessoa. Depois, só resta o vazio e a confusão. Como ovelhas sem pastor... (Mc 6,34)
Será que Jesus não se referia à situação que vivemos hoje, quando dizia: “Cuidado, para que ninguém engane vocês. Porque muitos virão em meu nome, dizendo: ‘Eu sou o Messias’. E enganarão muita gente... (Mt 24-4-50)... Muitos ficarão escandalizados, trairão e odiarão uns aos outros. Vão surgir muitos falsos profetas, que enganarão muita gente. A maldade se espalhará tanto, que o amor de muitos se resfriará. Mas, quem perseverar até o fim, será salvo. E esta Boa Notícia sobre o Reino será anunciada pelo mundo inteiro, como um testemunho para todas as nações. Então chegará o fim” (Mt 24,10-14).
Portanto, diante deste quadro, como cristãos ou “não crentes”, mas de boa vontade, não podemos balançar e fingir que tudo está bem. Todos os filhos de Deus, liderados pelos seus pastores, devem se colocar em “ordem de guerra”. Não tem mais tempo para perder. É preciso defender “com as garras” o que, ainda, sobrou dos fundamentos da nossa civilização cristã e das nossas tradições, antes de tudo ser tragado pelo Grande Vazio. Recuperar os valores que podem alimentar a fé e esperança do nosso mundo que caminha para autodestruição (não é um pessimismo, não - é realismo). Só a fé e a esperança podem alimentar o sentido da vida, quando tudo parece estar perdendo o sentido... O Grande Vazio só poderá ser vencido pela Grande Luz, a “Luz do Mundo” (Jo 8,12).


quinta-feira, 12 de julho de 2018

O paradoxo do ateísmo. Fé. Idolatria. Deus verdadeiro.


O paradoxo do ateísmo

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Aos 08 de outubro de 2014, a agência de notícias, Zenith.org, publicou esta matéria da autoria de Paulo Vasconcelos Jacobina (Graduação em Direito pela Universidade Católica do Salvador, graduação em Teologia pela Faculdade Católica de Anápolis, Procurador Regional da República da Procuradoria Regional da República 1ª Região). É uma profunda reflexão sobre o irracionalismo do ateísmo, que com toda a razão pode ser chamado de idolatria. Segue o texto na íntegra.

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 O PARADOXO DO ATEÍSMO E A PALAVRA DEUS

É preciso para o ateu, se quer ser coerente, abandonar os dois últimos deuses nos quais ele se refugia: o próprio ateísmo e o culto a si próprio. Porque ambos não são ateísmo, são idolatria
Por Paulo Vasconcelos Jacobina
“Sobre aquilo que não se pode falar, deve-se calar”. É assim que o filósofo Wittgenstein conclui a respeito do limite da linguagem quando aplicada àquilo para o que, segundo ele, a linguagem é inadequada: em especial, quando aplicada a Deus. Deus está além das possibilidades da linguagem humana, dizia este filósofo. Deus seria palavra proibida, melhor não usá-la. Mergulhando na vertente da filosofia analítica anglo-saxã, Wittgenstein colocou Deus, para o ser humano, na categoria daquilo que é indizível. E silenciou a muitos. Falar de Deus parece agora uma capitulação, parece a atitude de quem se rende perante o irracional e capitula da ciência. Muitos realmente acreditam que falar de Deus é de muito mau gosto. Melhor silenciar sobre Deus, pensam. Deus seria, como estes filósofos convenceram a tantos, aquilo que impediria o homem de ser autônomo. Uma criação de alguns mais espertos, para a dominação dos outros através dos mecanismos irracionais da religião. Assim, urge – pensam – banir a própria palavra “Deus”.
Mas será que existe, de fato, qualquer silêncio possível perante a questão que se coloca pela própria possibilidade de se pronunciar a palavra “Deus”? O escritor alemão Karl Rahner, S.J., nos lembra da impossibilidade de sequer mencionar o ateísmo sem usar a palavra Deus. A palavra “Deus”está, aliás, incrustada na própria palavra “ateu”. Diz Rahner: “A palavra 'Deus' existe. Voltamos ao ponto de partida da nossa reflexão, ou seja, ao simples fato de no mundo das palavras, pelas quais construímos nosso mundo e sem as quais mesmo os assim chamados 'fatos' não existem para nós, ocorre também a palavra 'Deus'. Mesmo para o ateu, mesmo para o que declara que Deus está morto, mesmo para eles, como vimos, Deus existe pelo menos como o que eles julgam dever declarar morto e cujo espantalho precisam exorcizar, como aquele cujo retorno temem. Somente quando já não existisse a palavra mesma, ou seja, quando nem sequer se houvesse de colocar a questão acerca dela, somente então é que poderíamos ter sossego quanto a ela. Mas esta palavra continua a existir, tem presente. Terá também futuro? Já Marx pensou que inclusive o ateísmo viria a desaparecer, ou seja, que a própria palavra 'Deus' - em chave afirmativa ou negativa - deixaria de existir. É pensável este futuro da palavra Deus?”
Ou seja, a própria existência do vocábulo “Deus” põe ao ser humano um desafio, que está no limite da sua capacidade de falar. Mas é incontornável. Na verdade, se as toupeiras pudessem falar, certamente não teriam uma palavra para “luz” - mas tampouco teriam necessidade dela, e viveriam para sempre bem felizes em seus buracos obscuros. No dicionário de verdadeiras toupeiras tampouco haveria um vocábulo para a “negação da luz”, algo como “alumismo”, porque se não houvesse sequer a possibilidade, para as toupeiras, de pensar na luz, tampouco haveria a necessidade de negá-la. A palavra “luz” não faria falta num mundo de toupeiras, e o conceito de “alumismo” tampouco. Mas não ocorre assim com a palavra “Deus” no mundo humano.
Se esta palavra não existisse, o homem não mais seria colocado diante do todo uno da realidade como tal nem diante do todo uno de sua existência como tal. Pois é exatamente isto que faz a palavra “Deus” e somente ela, como quer que soe foneticamente ou como quer que esteja determinada em sua origem. Karl Rahner nos lembra que “Se realmente não existisse a palavra 'Deus', também essas duas coisas não mais existiriam: o todo uno da realidade como tal e o todo uno da existência humana como tal na mútua compenetração dos dois aspectos”. O próprio ser humano, como tal, destruir-se-ia, ao desaparecer a interpelação que a simples palavra “Deus” nos provoca. Se o intento do ateísmo, de banir a própria menção a Deus, se concretizasse, o próprio ateísmo seria banido.
As consequências seriam aquelas lembradas pelo próprio Rahner: “O homem teria esquecido o todo e seu fundamento, e ao mesmo tempo teria esquecido, se é que ainda se poderia falar assim, que se esqueceu. Que seria então? Só poderíamos dizer: ele deixaria de ser homem. Ter-se-ia reduzido a um animal engenhoso. (...) Só podemos dizer que existe homem quando um ser vivo, pensando, usando da palavra e agindo livremente, confronta-se com a totalidade do mundo e da existência como pergunta e problema, mesmo que, ao fazê-lo, possa vir a se manter mudo e desconcertado perante esta pergunta sobre a unidade e a totalidade. Talvez seria até mesmo pensável - e quem poderia saber disso com certeza? - a possibilidade de o gênero humano, mesmo mantendo uma sobrevivência biológica e técnico-racional, vir a morrer de morte coletiva e voltar ao estado de térmitas ou a uma colônia de animais incrivelmente engenhosos. (...) O homem existe propriamente como homem somente quando diz 'Deus' pelo menos como pergunta, pelo menos na forma de pergunta a que se responde negativamente. A morte absoluta da palavra 'Deus', morte que apagasse até mesmo o seu passado, seria o sinal não mais ouvido por ninguém de que o homem mesmo morreu.”
É impossível, portanto, para o ser humano, mencionar de qualquer forma o ateísmo sem reafirmar Deus... Curioso impasse, curioso paradoxo! A solução seria então calar sobre Deus, como quer Wittgenstein?
Calar sobre Deus, no entanto, seria fugir ao dever mais agudo que tem o ser humano: buscar a verdade até o fim, corajosamente, não para se deter onde for conveniente chegar, mas para caminhar até onde a própria verdade nos leva. Buscar um sentido. Um ser humano tem o dever de não se contentar em ser menos que humano, em se transformar em mero bando de animais engenhosos. Um ateu corajoso, digno deste nome, não se detém no silêncio, nem se apega a um ateísmo a priori, que, paradoxalmente transformar-se-ia num “deus” para ele, um ídolo a ser defendido e adorado com todas as forças, e contra toda a possibilidade de refutação no diálogo e na razão. Um ateu calado é um idólatra. Um idólatra de si mesmo, porque não vê sequer a necessidade de falar e ouvir. Também um ateu que, mesmo saindo do silêncio para defender o ateísmo, refuta o diálogo racional, para se tornar num militante do próprio ateísmo, também está apaixonado pelo próprio ateísmo, transformou o ateísmo em religião, e é incapaz de seguir até as consequências últimas da busca daquilo que o desafia. É um idólatra ainda pior. Nega o absoluto sem perceber que esta afirmação é, em si mesmo, uma afirmação absoluta – e reintroduz o absoluto exatamente ali onde ele é negado! É preciso, portanto, para o ateu, se quer ser coerente, abandonar os dois últimos deuses nos quais ele se refugia: o próprio ateísmo e o culto a si próprio. Porque ambos não são ateísmo, são idolatria.
Para falar de ateísmo, o ateu precisa, portanto, contrariar a própria máxima de Wittgenstein, e valer-se da palavra “Deus”, que era o que o ateu queria banir em primeiro lugar. Mas é a única maneira de não fechar-se na idolatria. Um verdadeiro ateu precisa ser corajoso: falar é correr riscos, e demanda coerência: quem fala deve conformar conscientemente a própria vida com a verdade que vai descobrindo - esta é a única liberdade. A liberdade que está no limite superior da razão humana que é evocada quando se pronuncia a palavra “Deus”.
A menos, é claro, que se use a palavra “ateu” num plano relativo: sou ateu deste ou daquele deus, porque ele é um falso deus, mas nada posso dizer de modo absoluto quanto a um eventual Deus verdadeiro. Neste caso, não há cristão que não seja ateu de todos os deuses falsos. Aliás, o filósofo Jean Guitton costumava dizer que o mal do nosso tempo não é o ateísmo, mas a credibilidade tola, da qual devemos fugir: só descobriremos o Deus verdadeiro quando formos convictos ateus de todos os falsos deuses.



O que vai me dar a Igreja? Amor a Igreja. Cristão. Compromisso. Pastoral


Não pergunte o que a Igreja vai te dar, pergunte o que você dará a Igreja?
No Brasil vivemos o Ano do Laicato. O engajamento dos leigos na Pastoral da Igreja é o fruto do Concílio Vaticano II, que entre outros, elaborou o Decreto “Apostolicam Actuositatem” (Sobre o apostolado dos leigos).
O Evangelho de Mateus termina com as palavras de Jesus: "Ide e ensinai todas as nações" (Mt 28,19-20). Este "ide" é dirigido a todos os que crêem em Jesus, a todos os batizados. Não só ao clero, ainda que, até o Concílio Vaticano II esta prática era predominante. O Concílio demonstrou a sabedoria da Igreja, que avançou na descoberta da sua identidade e reconheceu o insubstituível papel de todas as pessoas batizadas, na construção duma Igreja, autenticamente viva. Igreja como Corpo Místico de Cristo composto de muitos e variados membros (1Cor 12,12-14).
Hoje, o mais importante é que todos compreendam a responsabilidade comum pela Igreja, família de Deus (Mc 3,33-35). Que um leigo não seja um “cliente” da Igreja, vista por ele, como uma instituição, que pode atender algumas das suas necessidades (Batizado, Casamento, Exéquias...). Cada um deve perguntar a si mesmo: O que estou dando à Igreja? Que papel devo desempenhar na Igreja, concretamente, na minha Igreja Paroquial?
Existe uma grande tentação de procurar fazer na Igreja “o que eu quero” ou “o que eu gosto”. Vê-la como um “espaço” no qual posso realizar alguns dos meus desejos (já que em outros ambientes não consigo “aparecer”). Se fosse possível viver assim, a Igreja nunca conseguiria cumprir o mandato de Jesus Cristo (Mt 28,19-20; 10,16-34). Inevitavelmente haveria muitos conflitos de interesses, seguidos pelas intrigas e divisões.
Na verdade, trata-se de assumir a responsabilidade concreta pela Igreja, como acontece com os órgãos num corpo humano. Muitos batizados esperam muito da Igreja, têm exigências e só sabem opinar e criticar, mas em troca, nada oferecem de si mesmos. Não querem assumir qualquer compromisso. Até mesmo, os seus dízimos e suas “ajudas” a Igreja, são tão simbólicas que não passam de ser um mero fingimento.
É lamentável dizer isto, mas o católico, em geral, não sente responsabilidade pela sua comunidade paroquial. Não entende a Igreja. Se pertence a um Grupo ou Pastoral, ainda faz algo em seu favor, mas pela Igreja, pela Comunidade – só quando dá vontade...  
Muito raramente um pároco consegue ouvir: Posso ajudar com alguma coisa? Esta disponibilidade não se refere em “ajudar ao padre”, mas a própria Comunidade Paroquial. É claro que vários leigos estão engajados na vida das Paróquias, mas, isso geralmente acontece a pedido dos padres.
Necessariamente e urgentemente, precisamos conscientizar os nossos crentes da importância da comunidade paroquial. Ajudar a todos se identificarem com “a minha Igreja Paroquial”, ainda que não seja dos meus sonhos...

terça-feira, 10 de julho de 2018

Entender a Deus. Deus Amor. Pedagogia divina. Comunhão de vida. Sofrimento um meio?


Entender a Deus...
Muitas pessoas, no mundo de hoje, veem o cristianismo como, apenas, uma religião de proibições e... muitas exigências morais.
Deus anunciado a partir dos Mandamentos, realmente pode parecer um Deus “cacique”, que não se importa com a realidade do homem, mas apenas, com a observância dos preceitos que mandou cumprir.
Na verdade, é o contrário. Deus se importa, sim, com o ser humano, e muito mais, que este possa imaginar. Deus ama todas as criaturas a quem deu a vida, e acima de tudo, ama o homem que criou a Sua imagem e semelhança (Gen 1,26).
Deus é a vida e a felicidade. Esse é o verdadeiro Evangelho que vem sendo anunciado, pelo próprio Deus, desde a Obra da Criação, na qual Ele se revela como Amor, Sabedoria, Harmonia e Bem perfeitos.
A história do Universo e, em particular, a História da Salvação, brevemente apresentada nas páginas da Sagrada Escritura, é um hino de louvor a Deus-Amor, Deus-Vida. Esta História culminou no Mistério da Encarnação de Deus coroado pela Obra da Salvação (Vida, Paixão, Morte e Ressurreição do Filho de Deus).
Deus só pode amar e, como Amor, é fonte de vida e felicidade. Continua procurando o homem, desde as origens: “onde estás? ” (Gen 3,8-9). Assim, Deus questiona, uma vida desorientada. Leva a refletir se vale a pena viver escondendo-se e sofrendo inutilmente. Continua querendo “seduzir” o homem a voltar para “dentro da casa”, para a comunhão (Os 2,16. 21-22; Jer 20,7-13).
O homem foi criado e é chamado a viver com Deus na intimidade e eternamente, o que os profetas costumavam comparar com a vida matrimonial (fidelidade e indissolubilidade). Mesmo querendo ser feliz, raramente o homem quer ouvir esta voz, deixando-se absorver pelos prazeres desta vida e pelas preocupações exageradas (Mt 6,34).
Portanto, para “seduzir” o homem, Deus não hesita de recorrer aos meios dolorosos, como perturbações diversas (Mc 5,2-5), doenças (Mt 9,20-22) ou, até, a morte de alguém próximo (Lc 8,49-55). Muitas vezes, estas são as graças mais preciosas, porque fazem o homem despertar para o verdadeiro sentido da vida. Não são castigos “pelos pecados”, mas sim, chamadas que querem despertar o homem do “sono da morte”, para que se descubra como “cidadão do infinito”.
Feliz quem sabe ler e entender estes sinais e estas intervenções divinas. Em vez de se revoltar ou mentar do “abandono” por parte de Deus, pode encontrar o caminho para a vida e felicidade verdadeiras.
Deus nos quer para Si, porque sabe que sem Ele, sem o Seu Amor, o homem será enganado pelos servos do Grande Vazio e, assim, em vez de ser livre, será escravo das próprias paixões, que o levarão a destruição completa da vida.
Nem sempre é fácil entender esta pedagogia de Deus. Por isso, é preciso buscar a intimidade com Ele - na oração. Buscar o conhecimento - através do aprofundamento das verdades de fé. Buscar a confiança n´Ele – na experiência do abandono nas “Suas mãos” e da obediência dócil. Também, é importante consultar alguém que tem a maturidade e inquestionável experiência da vida interior.


Leitura recomendada: "DESCOBRINDO A CASTIDADE"


Matrimônio cristão é Sacramento.
O mundo de hoje não prepara jovens para o compromisso matrimonial e familiar. O hedonismo “casado” com diversos outros “Ismos” vem fazendo, de muitas pessoas, fantoches - que se pode manipular livremente. No entanto, contentar-se com o prazer “sem compromisso” significa entrar no caminho da alienação, que muitas vezes não tem retorno. O matrimônio, mesmo dos não cristãos, não pode ser visto como um “negócio” (que por ex. legitima a vida sexual), mas como um compromisso, assumido com seriedade e responsabilidade.
O Padre Luiz Carlos Lodi da Cruz no seu excepcional livrinho “Descobrindo a castidade” afirma que: “visto como um negócio, o matrimônio é péssimo. Mais do que isso: é uma loucura. É como assinar um cheque em branco e entregar ao outro negociante, aceitando qualquer valor que ele queira escrever. Por isso diz Jesus: “Nem todos são capazes de compreender essa palavra, mas só aqueles a quem é concedido” (Mt 19,11).
Nem todos compreendem:
·         que o matrimônio não é um negócio, mas uma aliança de amor;
·         os dois se casam não por causa do bem que receberão, mas por causa do bem que darão um ao outro;
·         que os dois se casam não para serem felizes, mas fazerem felizes um ao outro.
E sobretudo, nem todos compreendem que... como Jesus veio para restabelecer a ordem inicial da criação perturbada pelo pecado, ele mesmo dá a força e a graça para viver o casamento na nova dimensão do Reino de Deus. É seguindo a Cristo, renunciando a si mesmos e tomando cada um sua cruz que os esposos poderão ‘compreender’ o sentido original do casamento e vivê-lo com a ajuda de Cristo. Esta graça do matrimônio cristão é um fruto da cruz de Cristo, fonte de toda vida cristã (Catecismo da Igreja Católica, n. 1615)”.

Fonte: "Descobrindo a castidade", pg.14-15.

Obs.: O livro pode ser adquirido na sede Pró-Vida, em Anápolis, Goiás.



quinta-feira, 28 de junho de 2018

São Pedro e São Paulo. Igreja. Corpo de Cristo.


Solenidade de São Pedro e São Paulo

Esta solenidade é uma das mais antigas da Igreja. É anterior, até mesmo, ao Natal de Jesus Cristo. Comemoramos juntos, estes dois apóstolos, não os igualando, mas apenas enfatizando que ambos foram co-fundadores da comunidade cristã em Roma, ambos nesta cidade, deram a vida por Cristo e que as suas relíquias se encontram em Roma. Pedro e Paulo som considerados “fundamentos da Igreja”: una, santa, católica e apostólica, permanentemente missionária e ecumênica.
Pedro. O seu nome próprio foi Simão. O Senhor Jesus mudou seu nome para “Pedro”, para simbolizar a sua futura vocação e missão. “Tu és Pedro e sobre esta pedra fundarei a minha Igreja” (Mt 16,13-19).
Quando Pedro foi chamado ao grupo dos discípulos de Jesus, já era casado e vivia em Cafarnaum, na casa da sogra (Mc 1,29-31; Lc 4,38-39). 
Antes de subir ao céu, Jesus confiou ao Pedro a suprema autoridade de pastorear as Suas “ovelhas” (Jo 21,15-19). E consequência, como sinal de reconhecimento desta escolha, em todas as relações dos apóstolos, Pedro é sempre colocado em primeiro lugar (Mt 10,2; Mc 3,16, Lc 6,14, At 1,13).
Por assumir o lugar de Jesus, Pedro tornou-se o principal objeto de ódio e perseguição (At 12,1-17). Enfim, entregou a vida como mártir, na colina do Vaticano, em Roma. De acordo com o Orígenes, foi crucificado, com a cabeça para baixo, pois ele se sentia digno de morrer na cruz, como Cristo.
Paulo. Nasceu em Tarso, na Ásia Menor (At 21,39; 22,3), como um cidadão romano, fonte de certos privilégios (At 16,35-40; 25,11). A sua família pertencia aos fariseus, os mais zelosos intérpretes da lei mosaica (At 23,6). Ele não conhecia Jesus. Sabia, porém, dos cristãos, a quem odiava, considerando-os traidores. Perseguia os cristãos. Quando, certa vez, ia ao Damasco, para persegui-los, Cristo cruzou o seu caminho e o derrubou do “cavalo mas o próprio Jesus-Deus (At 9).
Depois da sua conversão, Saul foi batizado e começou uma nova vida.  Dedicou-se a proclamar o Evangelho, que há pouco tempo ardentemente combatia. Os judeus decidiram vingar-se do “traidor”, procurando ocasiões para assassiná-lo. Saul, no entanto, conseguia fugir. Até que, depois de anunciar o Evangelho e formar muitas comunidades, foi preso em Jerusalém. Ao correr o risco do julgamento injusto, apelou ao imperador romano. Em Roma, na prisão, Paulo continuava a evangelizar e escrevia cartas pastorais a comunidades, por ele fundadas, e às pessoas individuais. De acordo com uma antiga tradição foi decapitado (como cidadão romano) em Roma, no ano 67 ou 66.
É chamado de “apóstolo dos gentios”, pois evangelizava o mundo pagão, enquanto Pedro era responsável pela evangelização dos judeus, em virtude das decisões do primeiro Concílio da Igreja (At 15,6-12).
A comemoração de Pedro e Paulo, a Igreja faz aos 29 de junho, no entanto, no Brasil se transfere para o próximo domingo, que sucede ou antecede esta data. Neste dia contemplamos o mistério da Igreja, hierárquica (representada pelo Pedro) e carismática (Paulo, o missionário). Não uma organização humana, mas uma Obra de Deus, instituída para a salvação da humanidade.
Que são Pedro e são Paulo, intercedam por nós, e nos inspirem a nos dedicarmos ao Evangelho da Salvação, como eles fizeram, cada um de acordo com os seus carismas próprios. Esta é a vontade do Missionário do Pai, em quem fomos inseridos pelo santo Batismo (Mc 16,15).


segunda-feira, 25 de junho de 2018

Igreja. Cruz. Testemunho. Coragem.


"Em verdade, em verdade vos digo que vais chorar e vais ficar triste, enquanto o mundo se alegra. Você será afligido, mas sua aflição se transformará em alegria "(Jo 16,20). A dor, ou dizemos a palavra que a resume e transfigura, a cruz, é interpenetrada com o ofício apostólico; isto é, com a construção da Igreja. Não se pode ser um apóstolo sem levar a cruz. E se hoje o dever e a honra do apostolado são oferecidos a todos os cristãos indiscriminadamente, porque hoje a vida cristã é revelada com nova clareza o que é e deve
ser... todos nós devemos ser apóstolos, devemos todos carregar a cruz. Para construir a Igreja, precisamos trabalhar duro, devemos sofrer.
Esta não é uma visão pessimista do cristianismo; é uma visão realista, especialmente no que diz respeito à sua edificação, à sua afirmação como Igreja. A Igreja deve ser um povo forte, um povo de testemunhas corajosas, um povo que saiba sofrer pela sua fé e pela sua difusão no mundo. Silenciosamente, de graça e sempre por amor”.
Papa Paulo VI, Audiência Geral, 01/09/1976

domingo, 24 de junho de 2018

João Batista. Sentido da vida. Fidelidade e vocação. Batismo e compromisso. Família.


Que vai ser este menino?
O Evangelho, quando nos transmite o relato do nascimento de João Batista, fala do projeto dum vida humana: “O que será que esse menino vai ser?” (Lc 1,66). Podemos imaginar a repercussão que causou a maternidade duma mulher estéril, na sociedade daquele tempo. Hoje, provavelmente, isto não nos impressionaria, pois, o homem moderno é capaz de fazer muito mais...
Seja como for, quando nasce uma criança, seus pais têm sonhos, com relação a ela. O ambiente, talvez, possa pensar, como há 2000 anos atrás, o que vai ser duma criança cujos pais são... pobres, ricos, desempregados, imigrantes, celebridades ou idosos... A verdade é, que ninguém é capaz de sabê-lo. No entanto, uma coisa é certa, que todo o futuro, vai depender do ambiente, em que vai viver e crescer. Igualmente, como acontecia com as sementes das parábolas de Jesus (Mt 13,1-43; Mc 4,26-32). Se uma semente “cair” no ambiente favorável, será abençoada e bem-sucedida.
João Batista, depois de viver no ambiente familiar favorável, passou para a segunda etapa da vida e, escolheu um ambiente, propício para a conservação e amadurecimento do dom da vida e da vocação. Foi ao deserto... Como consequência, precisou pagar o preço, próprio da natureza da ”semente”, para que ela possa viver de acordo com a sua singular condição. Quando compreendeu o objetivo de sua vida e o seu chamado, João precisou renunciar tudo, para realizar a missão. O que ele fez foi um ato de maturidade e responsabilidade. A vida não pode ser vivida de qualquer jeito, pois, toda a vida deixa os rastros no universo. São obras boas ou devastações diversas...
O sacramento ministrado com maior frequência é o do Batismo. A maioria dos que pedem o Batismo das crianças, não tem ideia mínima do significado e da importância deste sacramento. Não sabe de que se trata dum dom e dum compromisso ao mesmo tempo.
Que compromisso é este? Qual é a vocação do batizado? “O que vai ser” daquela criatura batizada? O cristão, para seguir a vocação, tem de renunciar a tudo (“qualquer de vocês, se não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo” Lc 14,33) – como João Batista. Somente, uma vida radical (se refere à “raiz”) pode fazer a diferença, num mundo do provisório, fácil e descartável. Só, assim poderá ser o precursor e “apontador” de Jesus Cristo, o único que salva, liberta e dá o sentido a vida. É d´Ele que o mundo precisa realmente.
Se, porventura, um cristão optar por levar a vida cômoda e sossegada, inevitavelmente, se tornará um dos cooperadores e promotores do “Reino das Trevas”, regido pelo “príncipe deste mundo”, o Satanás (Jo 12,31; 16,11; 1Jo 5,19). Viverá a lógica do “servir a Deus e ao dinheiro” (Mt 6,24). Este tipo de vida é o ateísmo prático e consiste em “servir a dois senhores”... (Mt 6,24).


sábado, 23 de junho de 2018

João Batista. Cristão. Conversão. Primado de Deus.


João Batista – o “Apontador”

Dia 24 de junho celebra-se solenemente o nascimento de João, filho de Zacarias, conhecido como Batista, em virtude do ministério de renovação do povo de Israel, através do batismo de conversão (Mc 1,1-8). João era muito respeitado, até mesmo pelos inimigos, pois nas suas palavras e na sua conduta não havia divergência nenhuma. Certa vez, até, o próprio Jesus, Filho de Deus, deu testemunho da sua vocação extraordinária e sua vida incomum, chamando-o de “o maior entre os nascidos de mulher” (Lc 7,28)
Por que chamei João Batista de “Apontador”?
1/ Porque apontava para o Infinito, através do modo de se vestir, alimentar e de morar. Estas suas atitudes, como que antecipassem os ensinamentos e o exemplo de Jesus. São atuais permanentemente (“...não fiquem preocupados com a vida, com o que comer; nem com o corpo, com o que vestir. Afinal, a vida não vale mais do que a comida? E o corpo não vale mais do que a roupa? Olhem os pássaros do céu: eles não semeiam, não colhem, nem ajuntam em armazéns. No entanto, o Pai que está no céu os alimenta. Será que vocês não valem mais do que os pássaros? [...] E por que vocês ficam preocupados com a roupa? Olhem como crescem os lírios do campo: eles não trabalham nem fiam. Eu, porém, lhes digo: nem o rei Salomão, em toda a sua glória, jamais se vestiu como um deles. Ora, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe e amanhã é queimada no forno, muito mais ele fará por vocês, gente de pouca fé! Portanto, não fiquem preocupados, dizendo: O que vamos comer? O que vamos beber? O que vamos vestir? Os pagãos é que ficam procurando essas coisas. O Pai de vocês, que está no céu, sabe que vocês precisam de tudo isso” (Mt 6,25-34). Sempre atual será a ordem: “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus...” (Mt 6,33).
2/ Apontava a infidelidade do povo à Aliança com Deus. Denunciava e desmascarava os pecados dos pequenos e das autoridades, sem distinção, em nome do Amor.
3/ Apontava a conversão pessoal, como caminho de saída deste conflito de infidelidade e como um meio para real comunhão com Deus. Para os que decidirem abandonar a vida em pecado, João ministrava o batismo de conversão (Mc 1,4).
4/ Como principal alvo da sua missão, apontou e revelou o Cordeiro de Deus, Salvador do mundo, Jesus Cristo - Deus que se fez Homem (Jo 1,29).
5/ Apontava, ainda, através do próprio martírio, o primado do compromisso com Deus (uma fé comprometida), acima de tudo, até mesmo, acima da própria vida.
O nosso povo tem estima muito grande pelo João Batista. Além de batizar os filhos com seu nome (João, Joana), cultiva-se vários costumes populares que, de certo modo, perpetuam a memória do Batista e lembram da sua Mensagem. Esta Mensagem é, e será, sempre atual, pois, o homem necessita de “apontadores” para o Infinito, para o verdadeiro sentido da vida. Sem eles, corre o risco de se desorientar, mergulhado nas preocupações cotidianas.
Não se deve reduzir Personagem tão excepcional, a um dos elementos folclóricos da nossa cultura, cultivados apenas para o divertimento e/ou recordação dos sentimentos da infância. É preciso olhar para o que João Batista continua apontando. E ainda mais, é preciso assumir o compromisso de apontar – como João Batista – para estes valores, pois, há muitas pessoas que não olham para longe e “para cima”...
Viva João Batista!!!