sexta-feira, 28 de abril de 2017

Vida, Aborto, Crime

O aborto não é lei, mas um crime

A questão do início da vida humana é antiga e existe desde que o homem se entende como “homo sapiens”. Na antiguidade, o Aristóteles, discípulo de Platão, afirmava que a vida do ser humano tem seu início desde fecundação. O impressionante é, que está afirmação não era baseada nos estudos científicos, pois estes não existiam. Tampouco houve a influência do cristianismo, que também naquela época não existia. Entre todos os filósofos que se identificaram com a doutrina de Aristóteles foram São Tomás de Aquino e Santo Agostinho. Estes dois pensadores contribuíram para a definição, precisa e final, da Igreja Católica, que desde sempre vem afirmando, imutavelmente, que a vida humana se iniciava no momento da concepção.

A ciência moderna não deixa dúvidas a respeito do começo de qualquer vida. “A biologia molecular, a embriologia médica e a genética oferecem muita luz para responder à antiga pergunta sobre o início de cada vida humana. A ciência garante hoje que a vida começa com a fusão do espermatozoide e o óvulo, chamada de “fecundação” (do latim “fecundare”, fertilizar). O clássico manual de Langman sobre embriologia, utilizado nas faculdades de medicina para a aprendizagem do desenvolvimento humano inicial, explica, de maneira simples, o processo da fecundação: “Uma vez que o espermatozoide ingressa no gameta feminino, os núcleos masculino e feminino entram em contato íntimo e replicam o seu DNA”. Esta união gera uma nova célula, chamada zigoto. Esta nova célula possui uma identidade genética própria, diferente da que pertence aos que lhe transmitiram a vida, e a capacidade de regular o seu próprio desenvolvimento, o qual, se não for interrompido, passará por cada um dos estágios evolutivos do ser vivo, até a sua morte natural...  O zigoto é um vivente da espécie dos seus progenitores, com toda a dignidade que corresponde a cada uma das pessoas” (leia mais: http://pt.aleteia.org/2013/01/24/quando-comeca-a-vida-humana-segundo-a-ciencia/).

Legislações sobre o aborto.
O Código Penal Brasileiro pune o aborto provocado na forma do auto-aborto ou com consentimento da gestante em seu artigo 124; o aborto praticado por terceiro sem o consentimento da gestante, no artigo 125; o aborto praticado com o consentimento da gestante no artigo 126; sendo que o artigo 127 descreve a forma qualificada do mencionado delito. No Brasil, admite-se duas espécies de aborto legal: o terapêutico ou necessário e o sentimental ou humanitário (JESUS, 1999). [ https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/131831/legisla%C3%A7%C3%A3o_aborto_impacto.pdf?sequence=6].
As Leis Brasileiras defendem a vida, mas... Sim, existe um “mas”, pois sendo defendida pela Leis, na realidade, a vida dos nascituros vem sofrendo constantes golpes. Até mesmo a Legislação tem sofrido várias tentativas de mudar a interpretação da Constituição, com intuito de legalizar o aborto como, um dos “direitos” da mulher e como elemento da “saúde pública” (cf. https://jus.com.br/artigos/29133/o-projeto-de-legalizacao-do-aborto-no-brasil-contrariando-dispositivo-constitucional-que-protege-a-vida). Por exemplo, aos 8 de março deste ano corrente, o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) propôs diante da Suprema Corte a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 442 (ADPF 442). Pede-se que seja declarada a “não recepção parcial” de tais artigos pela Constituição de 1988, “para excluir do seu âmbito de incidência a interrupção da gestação induzida e voluntária realizada nas primeiras 12 semanas” (https://jus.com.br/artigos/56724/o-grito-silencioso-dos-inocentes).

O que diz a Igreja sobre o aborto?
“Desde o século I, a Igreja afirmou a maldade moral de todo aborto provocado. Este ensinamento não mudou. Continua invariável. O aborto direto, quer dizer, querido como um fim ou como um meio, é gravemente contrário à lei moral: Não matarás o embrião por aborto e não farás perecer o recém-nascido.
Deus, senhor da vida, confiou aos homens o nobre encargo de preservar a vida, para ser exercido de maneira condigna ao homem. Por isso a vida deve ser protegida com o máximo cuidado desde a concepção. O aborto e o infanticídio são crimes nefandos” (Catecismo da Igreja Católica § 2271).
O mesmo Catecismo, no § 2270, diz: “A vida humana deve ser respeitada e protegida de maneira absoluta a partir do momento da concepção. Desde o primeiro momento de sua existência, o ser humano deve ver reconhecidos os seus direitos de pessoa, entre os quais o direito inviolável de todo ser inocente à vida. Antes mesmo de te formares no ventre materno, eu te conheci; antes que saísses do seio, eu te consagrei (Jr 1,5). Meus ossos não te foram escondidos quando eu era feito, em segredo, tecido na terra mais profunda (Sl 139,15)”.

Colaboração com o aborto é crime (CIC § 2272): “A cooperação formal para um aborto constitui uma falta grave. A Igreja sanciona com uma pena canônica de excomunhão este delito contra a vida humana. "Quem provoca aborto, seguindo-se o efeito, incorre em excomunhão latae sententiae" ("pelo próprio fato de cometer o delito") e nas condições previstas pelo Direito. Com isso, a Igreja não quer restringir o campo da misericórdia. Manifesta, sim, a gravidade do crime cometido, o prejuízo irreparável causado ao 'inocente morto, a seus pais e a toda a sociedade.

O inalienável direito à vida de todo indivíduo humano inocente é um elemento constitutivo da sociedade civil e de sua legislação: "Os direitos inalienáveis da pessoa devem ser reconhecidos e respeitados pela sociedade civil e pela autoridade política. Os direitos do homem não dependem nem dos indivíduos, nem dos pais, e também não representam uma concessão da sociedade e do Estado pertencem à natureza humana e são inerentes à pessoa em razão do ato criador do qual esta se origina. Entre estes direitos fundamentais é preciso citar o direito à vida e à integridade física de todo ser humano, desde a concepção até a morte".
Os cristãos, para serem coerentes com a fé que professam e com o estilo de vida que escolheram, ao entrar no Caminho de Deus (At 5,20) precisam de ter a coragem e se opor a “cultura da morte” (http://cleofas.com.br/cultura-da-morte-o-grande-novo-desafio-da-igreja/). Devem lembrar, de que foram batizados e se tornaram cristãos, para serem a “luz do mundo” (Mt 5,14). Portanto, não há compromisso, não há nenhum acordo no sagrado campo, que é a vida humana. É aqui, antes de tudo, que se verifica a autenticidade da fé e opção pela vida eterna na bem-aventurança (Dt 11,26. 30,15; Mt 6,24ss).

Mesmo assim, no Brasil há confessores de compromissos no Congresso Nacional, no Poder Legislativo. Os deputados, que se identificam com a fé cristã, muitas vezes, até citando a doutrina da Igreja, rejeitam as solicitações populares, apresentadas através de diversas campanhas Pró-Vida ou as propostas de minoria parlamentar, para proibir o morticínio das crianças não-nascidas (isto acontece, também, em várias partes do mundo). Evidentemente, os políticos fazem um jogo de cintura, com relação a tolerância e promoção do aborto. Será que para o mundo da política, o direito à vida é realmente um direito a... qualquer um? Ou há entre nós “mais iguais e menos iguais”?

O aborto não é lei, mas um crime, disse corajosamente o cardeal Robert Sarah, Prefeito da Congregação para o Culto Divina e Disciplina dos Sacramentos, aos 25 de março passado, em Paris. Não só o mundo, mas também muitos dos que hoje se dizem cristãos, não gosta de tais afirmações. Elas incomodam e perturbam. Mas, esta é a verdade que deve ser proclamada incessantemente, pois é a verdade que liberta (Jo 8,32).
A Igreja Católica, nestes tempos em que vivemos, parece com o pequeno Resto (Lc 12,32; Sof 2,7-9), de que fala a Sagrada Escritura. Como jovem Davi, ela tem a sua disposição apenas uma pequena pedrinha do Evangelho da Vida e da Verdade. Mas, ainda assim, atingirá o gigante na testa e o abaterá no chão (1Sm 17). Sabemos, que a batalha pela vida é uma batalha cruel e, ao mesmo tempo, decisiva. Sabemos, que será longa e que está ligada ao combate do fim dos tempos.

Toda a matéria da proteção da vida, é uma questão de sobrevivência da humanidade. Hoje, a Igreja, mais uma vez, como sempre acontecia durante a sua história, de dois mil anos, é o último bastião contra a barbaridade (tradução livre) – falou, em Paris, o mencionado Cardeal Sarah. Além disso, ele ainda disse, que o dever absoluto de defender a vida pré-natal é muito mais do que mera observância de princípios morais. É uma condição “sine qua non” (indispensável) “para tirar toda a civilização da barbaridade e assegurar o futuro da humanidade."

Recentemente, podíamos ver no noticiário (pela internet) que no contexto das eleições presidenciais na França, no metrô de Paris foram afixados cartazes com a temática anti-aborto. Invocam os candidatos ao cargo de presidente, à defesa da vida pré-natal. Os organizadores da campanha salientam que a luta contra o aborto é uma questão de importância nacional.

Para não deixar dúvidas, “o aborto é o homicídio voluntário de um inocente e quem pratica, promove ou colabora com tal prática incorre em pecado grave” (cf. http://www.acidigital.com/noticias/dom-antonio-keller-quem-pratica-aborto-ou-promove-mesmo-politicos-comete-pecado-grave-80713/). Além disso, dom Antônio Keller, frisa: “para todos, inclusive para os políticos que apoiam e sustentam tão iníqua desobediência à Lei de Deus, votando favoravelmente leis que ampliam permissividades em relação à realização do aborto, também se aplicam as graves palavras do Apóstolo São Paulo na 1ª Carta aos Coríntios: ‘Aquele que come o pão ou bebe o cálice do Senhor indignamente... come e bebe a sua condenação’ (1 Cor 11,27.29).

O Papa Francisco, para o Ano Jubilar da Misericórdia, concedeu a faculdade de absolver o pecado de aborto, reservado ao bispo diocesano, a todos os sacerdotes, mostrando assim, o desejo de comunicar a misericórdia a todos, mas em nada diminuindo a gravidade da prática ou da participação do aborto. Ele escreve assim: “Um dos graves problemas do nosso tempo é certamente a alterada relação com a vida. Uma mentalidade muito difundida já fez perder a necessária sensibilidade pessoal e social pelo acolhimento de uma nova vida. O drama do aborto é vivido por alguns com uma consciência superficial, quase sem se dar conta do gravíssimo mal que um gesto semelhante comporta. Muitos outros, ao contrário, mesmo vivendo este momento como uma derrota, julgam que não têm outro caminho a percorrer. Penso, de maneira particular, em todas as mulheres que recorreram ao aborto. Conheço bem os condicionamentos que as levaram a tomar esta decisão. Sei que é um drama existencial e moral... decidi conceder a todos os sacerdotes para o Ano Jubilar a faculdade de absolver do pecado de aborto quantos o cometeram e, arrependidos de coração, pedirem que lhes seja perdoado” (Carta do Papa Francisco com a qual se concede a indulgência por ocasião do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, 01/09/2015).

O Brasil cristão, pode ficar calado perante os atentados de Herodes, que vem destruindo a vida dos indefesos, sob alegação de promoção humana? Rezemos a oração, que há poucos dias recebi dos meus amigos:

Ó Maria concebida sem pecado,
olhai pelo nosso pobre Brasil,
rogai por ele, salvai-o.
Quanto mais culpado é,
tanto mais necessidade tem ele
da vossa intercessão.
Ó Jesus, que nada negais a vossa Mãe Santíssima,
salvai o nosso pobre Brasil.



segunda-feira, 24 de abril de 2017

DOIS EVANGELHOS. ORIGEM DA MENTIRA.

Evangelho da vida e "evangelho da morte"

A palavra “evangelho” significa “boa nova”, boa notícia. O primeiro Evangelho anunciado ao Universo, foi a Obra da Criação, realizada por Deus. A perfeição e a beleza da criação proclamam, que Deus é Belo e é a Plenitude do Bem. Ao criar os seres visíveis e invisíveis, Deus pensou em todos os detalhes. Preocupou-se para entregar aos homens (Gen 1,28), também por Ele criados, um mundo “muito bom” (Gen 1,31) no qual eles poderão desenvolver as suas potencialidades humanas e serem felizes. De fato, Adão e Eva viviam em perfeita harmonia e paz com todas as criaturas do mundo, com Deus e entre si (Gen 2,19-20). Uma paz cativante nos é comunicada através do relato bíblico. Um mundo, paraíso perfeito, foi um presente para, o mais amado de todas criaturas, o ser humano.
Lamentavelmente, um outro “evangelho” começou a ser propagado. Um “evangelho mentiroso”, um “evangelho” falso, divulgado pelo Pai da Mentira. Fingindo-se de amigo, e de falsa benevolência, astutamente apresenta aos homens (assim como o faz uma serpente), uma notícia falsa que os levará a desconfiar em Deus (Gen 3,1-5). Em decorrência da desconfiança, os homens optam pelo caminho sugerido por Autor do “evangelho mentiroso”, acabam de desobedecer a Deus. Em consequência, entram no mundo da morte (pecado), perante qual Deus os alertou claramente (Gen 2,16-17). Os seus olhos se abriram, realmente, e constataram que a escolha foi péssima (Gen 2,7ss).

Na madrugada do dia da Ressurreição de Jesus Cristo os anjos anunciaram o Evangelho do poder da Vida. Ao decorrer dos séculos, adormecida e anestesiada pelo Pai da Mentira a verdade do Evangelho originário (o da Criação), no sepulcro do Ressuscitado Homem Novo, voltou a ser proclamada de novo e começou a ser divulgada (Mt 28,1-10). De igual modo, como no começo da Criação, a notícia da Vida vem propagando-se através da força do bem e do amor. Gente simples e sem recursos, valorizados pelo mundo, está sendo encarregada desta Obra. O meio para o encontro com este Evangelho tem sido a humildade e a bondade do coração. As bem-aventuranças (Mt 5,3-10), proclamadas por Filho do Homem, continuam sendo uma síntese deste Projeto deste Caminho.

Naquele mesmo dia, o Pai da Mentira, servindo-se de escravos do poder, do prazer e da fama, reinicia a “proclamação” do “evangelho da mentira” (Mt 28,11-15). Para isto, além da falsidade, utiliza o poder das autoridades, do dinheiro, da ilusão, da carreira, da ganância, etc. Como afirma citado acima o texto evangélico “assim o boato espalhou-se... até hoje” (v.15).

Desde aquele momento as ambas notícias estão sendo anunciadas. A notícia do Autor do Bem e a notícia do Autor da Mentira. A primeira está sendo anunciada respeitosamente, oferecendo-se como proposta dum caminho da harmonia e da paz, em comunhão com o Criador e todas as Suas criaturas. O meio principal de anúncio é o amor universal e incondicional, concedido por Deus, àqueles que optam pela comunhão com Ele. Este Evangelho requer a desistência do projeto de vida próprio, em favor do projeto proposto pelo Criador.

O segundo “evangelho”, o da mentira, vem sendo propagado através da sedução, que não é proposta respeitosa, como acima, mas que visa exclusivamente a recrutamento de adeptos para o seu projeto, ou melhor, o anteprojeto. Para promovê-la emprega-se todos os recursos disponíveis hoje, incluindo instituições governamentais, ONG`s, conquistas científicas, instituições de ensino e saúde, tecnologia, música, arte e eventos culturais, etc. Sem remorsos e sem piedade este “evangelho” se impõe, como “científico” e “realista”, alegando que a sua preocupação é a felicidade do ser humano (“aproveite tudo para o prazer”), com a sua liberdade (“Faça o que dá vontade”) e com o seu bem-estar (“para que sonhar outra vida, que ninguém sabe se existe”). Este “evangelho” é atrativo para o mundo de hoje, porque é fácil. Não há nenhum limite, nenhuma exigência. Nenhuma imposição pode ser feita. Eis a “liberdade” que te fará feliz... “Faça o que quiser..., faça o que você gosta..., faça o que você tem vontade de fazer...

Todas as pessoas do nosso mundo, crentes e não crentes, vivem no meio desta tensão entre ambos anúncios: o da felicidade em, e com Deus e, o da felicidade conquistada através da inteligência e astúcia humanas, ou seja, sem a dependência de Deus.

Você e eu, também, somos atraídos por um e por outro projeto. Não somos predeterminados para nenhum deles. Somos livres e precisamos fazer a escolha. Ninguém por nós, vai tomar esta decisão, nem vai assumir as suas consequências.

A consequência da escolha do Projeto da Vida, é o desligamento, a renúncia de tudo que hoje é chamado de cultura da morte, tendo a origem no egoísmo, na incondicional satisfação da vontade própria.

A opção pela outra proposta, pelo “evangelho fácil” (Mt 7,13) comporta a renúncia de Deus e da Sua Promessa da vida externa, plena e feliz.

“Vejam! Hoje eu estou colocando diante de vocês a bênção e a maldição. A bênção, se vocês obedecerem aos mandamentos de Javé seu Deus, que eu hoje lhes ordeno. A maldição, se não obedecerem aos mandamentos de Javé seu Deus, desviando-se do caminho que eu hoje lhes ordeno... (Dt 11,26-28).


quarta-feira, 19 de abril de 2017

Pascoa. Libertação. Ressurreição.

Oitava da Páscoa, extensão da Alegria Pascal

Na Liturgia católica, durante a Oitava da Ressurreição, ressoa o alegre "Aleluia!". A Igreja, novamente, anuncia ao mundo que Jesus, o Crucificado, está vivo! Aponta, que Ele pode ser a luz da esperança para todos aqueles que já perderam o gosto e o sentido de viver. Porque Ele morreu e ressuscitou não para ostentar o poder extraordinário que possui, mas para libertar os homens, cativos de todas as escravidões. Desta forma, na Ressurreição contemplamos o amor de Deus, que é o centro da nossa fé cristã.

A Ressurreição de Jesus Cristo Crucificado e Morto, é o fundamento da nossa fé. Também, é o alicerce da nossa esperança, de que teremos a vida após a partida deste mundo. Precisamente isto que lemos na Carta de São Paulo: “Ora, se nós pregamos que Cristo ressuscitou dos mortos, como é que alguns de vocês dizem que não há ressurreição dos mortos? Se não há ressurreição dos mortos, então Cristo também não ressuscitou; e se Cristo não ressuscitou, a nossa pregação é vazia e também é vazia a fé que vocês têm (1Cor 15,12-14). E mais ainda: “Pois, se os mortos não ressuscitam, Cristo também não ressuscitou. E se Cristo não ressuscitou, a fé que vocês têm é ilusória e vocês ainda estão nos seus pecados (1Cor 15,16-17).

A madrugada do Primeiro Dia da Semana (Jo 20,1) revela ao mundo que a última palavra não pertence a morte, mas a vida! A vida não é submetida a corrupção. Esta destrói apenas tudo aquilo que é material. Porém, a vida destruída, não mais que biologicamente, volta a Deus, de onde saiu, pois exclusivamente Deus é a fonte de toda a vida (Sl 35[36],10). Portanto, a nossa certeza é esta: o ponto final da vida humana não é morte, não é o sepulcro, mas a vida!

As pessoas ressuscitadas por Jesus (a filha de Jairo, o filho duma viúva, Lázaro) voltaram à a vida “normal” antes de sua morte, mas no futuro tinham de morrer de novo. Enquanto a Ressurreição de Jesus, é um fenômeno absolutamente inédito. Esta Ressurreição é a passagem para a vida não sujeita mais ao poder da morte. Nenhum ser humano, mesmo os soldados que estavam vigiando o túmulo de Jesus, captou qualquer fenômeno externo deste acontecimento. Ninguém pode descrever como foi a Ressurreição de Jesus. No entanto, o mais importante que os sinais externos são os preciosos testemunhos de encontros com o Ressuscitado, das pessoas, que o tinham acompanhado antes de sua morte (apóstolos, amigos e seguidores).

Os cristãos ortodoxos não representam o fato da Ressurreição em si, mas pões o acento nos seus efeitos mais importantes, ou seja, a libertação do poder da morte. A Descida de Cristo ao inferno é uma das doutrinas cristãs e nós a professamos no Credo dos Apóstolos. Na arte cristã oriental, a descida ao inferno é apresentada na iconografia. Um dos ícones mais relevantes é Anastasis (do grego, "Ressurreição"), do século XIII. É um ícone muito
dinâmico e muito expressivo. No centro do ícone pode se ver, o Cristo vitorioso, sem marcas da paixão e do sofrimento, rodeado por estrelas, pisando sobre os derrubados portões do inferno e sobre os símbolos da escravidão do pecado, espalhados por toda a parte. Ele puxa pela mão o Adão e a Eva, libertando os de seus túmulos. Vemos que os joelhos de Cristo estão dobrados, mas ele não está andando em nenhuma direção. Parece que o sentido do movimento é puxar para cima. Enfim, a essência da Ressurreição de Cristo é levar toda a humanidade a vida plena em Deus.

No fim dos tempos (Mt 24,30-31) todos ressuscitarão, uns para a vida e outros para a morte (Mt 25,31-34,41,46), conforme as suas opções durante a vida terrena. Cada um entrará nesta Vida, na hora exata. “Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo. Mas cada um por sua ordem: Cristo as primícias, depois os que são de Cristo, na sua vinda” (1Cor 15,21-23).

A Ressurreição de Cristo nos provoca a uma resposta, conforme escreve São Paulo: “Se acreditamos que Jesus morreu e ressuscitou, acreditamos também que aqueles que morreram em Jesus serão levados por Deus em sua companhia” (1Tes 4,14). “De fato, a uma ordem, à voz do arcanjo e ao som da trombeta divina, o próprio Senhor descerá do céu. Então os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; depois nós, os vivos, que estivermos ainda na terra, seremos arrebatados junto com eles para as nuvens, ao encontro do Senhor nos ares. E então estaremos para sempre com o Senhor. Consolem-se, pois, uns aos outros com essas palavras” (1Tes 4,16-18).

Enquanto esperamos a Vida plena na Glória de Deus devemos viver a ressurreição constante (porque o pecado nos atinge constantemente) nesta vida, na Terra. Viver em Cristo Ressuscitado, viver da Sua Misericórdia, tentar olhar e pensar como Ele. O grande Missionário, são Paulo traduz estas palavras em atitudes concretas: “Se vocês foram ressuscitados com Cristo, procurem as coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus. Pensem nas coisas do alto, e não nas coisas da terra. Vocês estão mortos, e a vida de vocês está escondida com Cristo em Deus” (Col 3,1-3ss).


Precisamos deixar Ele ressuscitar também em nós, e não somente na Liturgia, celebrada as vezes, desatentamente. Muito bem o expressa Alessandro Pronzato, sacerdote, jornalista, escritor e professor italiano: "Nós também precisamos ressuscitar Jesus. Deixemo-lo sair do túmulo no qual O fechamos. Libertemo-lo da escravidão das cadeias dos nossos preconceitos, feridas, decepções e das nossas frustrações. Purifiquemos o Seu rosto de aparência grotesca, de caricaturas imaginárias, com as quais O deformamos. Permitamos que Ele quebre os esquemas e visões mesquinhas em que O aprisionamos. Um Deus isolado na igreja. Prisioneiro de nossos rituais sem vida. Adormecido em nossas reclamações chorosas. Muito vigiado para não violar a paz pública e, em particular, que obedecesse a hierarquia de prioridades, que nós mesmos estabelecemos...
Será que permitiremos a esse Deus ser novamente um Deus em nós? Será que permitiremos que apareça como Ele é, e não como gostaríamos que fosse?
A celebração da Páscoa significa a aceitação do fato, de que Deus não concorda em permanecer na sepultura e de que não quer fazer o papel que lhe atribuímos" (tradução livre minha).

Vou concluir esta postagem com as palavras de Bento XVI, escritas no prefácio do "Catecismo da Juventude" ("Youcat"), com intuito de motivar os leitores desta matéria, ao esforço à reflexão, ao questionamento das próprias opções e escolhas, bem como, a revisar o último fim de tudo que se considera importante.
Eis as palavras do Bento XVI: “Deveis conhecer aquilo em que acreditais; deveis conhecer a vossa fé com a mesma paixão que um especialista de informática conhece o sistema operacional de um computador; deveis conhecê-la como um musicista conhece a sua obra; sim, deveis ser bem mais profundamente enraizados na fé da geração dos vossos genitores, para poder resistir com força e decisão aos desafios e às tentações deste tempo. Tendes necessidade do auxílio divino, se a vossa fé não quer secar como uma gota de orvalho ao sol, se não desejais sucumbir às tentações do consumismo...”.





segunda-feira, 17 de abril de 2017

Páscoa da Ressurreição – Libertação e Vida

O dom e o preço da liberdade

O ser humano tornou-se escravo do pecado (causa de todos os males no mundo) pela sua própria, livre escolha. Escolheu dar ouvido ao Sedutor e saiu-se mal (Gen 3,1-24). O preço desta escolha, tão não acertada, continua sendo muito alto, pois a humanidade ficou marcada pela irresistível inclinação de viver fazendo a vontade própria. O efeito deste fato é a dor, sofrimento, destruições e mortes, começando pelo crime do bíblico Caim (Gen 4,8).
Logo depois da desobediência dos homens, Deus anuncia o plano da libertação (Gen 31,15), não deixando a humanidade na escravidão, sem a esperança. Passou-se muito tempo, muitas gerações viviam sob o domino do “senhor deste mundo” (Jo 12,31; 14,30).

A vocação de Abraão dá o início a penúltima fase deste plano. Ele é o primeiro ser humano, depois do Adão, que escuta e obedece a Deus. Assim, ele torna-se a figura de Jesus Cristo, Deus feito Homem, que através da perfeita obediência, até a morte e ressurreição, liberta a humanidade do Poder da Trevas. “Jesus Cristo... esvaziou-se a si mesmo, assumindo plenamente a forma de servo e tornando-se semelhante aos seres humanos. Assim, na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, entregando-se à obediência até a morte, e morte de cruz” (Flp 2,7-8). 

O processo de libertação é muito lento, mas não pelo desinteresse da parte de Deus. Deus ama infinitamente os seres humanos e não é seu desejo de serem escravos, mas livres. Contudo, respeitando a liberdade humana e a sua condição, de uma criatura frágil e limitada, Deus acompanha pacientemente o progresso da humanidade e evolução da sua mentalidade, na direção cada vez mais humana. E assim, vai indo até chegar a plenitude dos tempos (Mc 1,15; Gal 4,4).

A libertação dos descendentes de Abraão da escravidão do Egito, conforme o Livro de Êxodo, é um acontecimento simbólico e prenúncio da futura libertação, do mal muito maior, que é o pecado, com as suas consequências. O sangue do cordeiro imolado na primeira Páscoa (Ex 12), é a figura do Sangue do Cordeiro Imaculado, que tira o pecado do mundo (Jo 1,29; Mt 26,28; 1Cor 5,7). Deus oferece a libertação gratuitamente a todos, sem exceções. Basta querer. Contudo, é aqui que começam os degraus.

Quando Deus libertava os judeus da escravidão egípcia, nem todos se empolgaram com a ideia. Muitos, mesmo sonhando a liberdade, quando chegou a hora, preferiram não arriscar. Afinal, apesar das dificuldades da vida escrava, tem comida, tem onde morar, tem algum patrimônio e, ainda, alguma expectativa de crescer na hierarquia das estruturas escravas. E assim, o sonho da liberdade se foi...
Se alguém pensar que isto aí, é um desatualizado conto do passado, precisa então descobrir, que tal dificuldade acompanha os homens e mulheres de todas as épocas. Quem quiser ser livre tem de deixar as cadeias, com as quais já acostumou a conviver.

No tempo de Jesus, as autoridades judaicas foram convidadas a seguir o caminho da liberdade, mas enfrentaram o mesmo problema. "Jesus dizia aos judeus que nele creram: Se permanecerdes na minha palavra, sereis meus verdadeiros discípulos; conhecereis a verdade e a verdade vos livrará.  Replicaram-lhe: Somos descendentes de Abraão e jamais fomos escravos de alguém. Como dizes tu: Sereis livres? Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: todo homem que se entrega ao pecado é seu escravo. Ora, o escravo não fica na casa para sempre, mas o filho sim, fica para sempre. Se, portanto, o Filho vos libertar, sereis verdadeiramente livres" (Jo 8,31-36).

Da mesma forma aconteceu com o representante do Império Romano, governador da Palestina, o Pôncio Pilatos. Teve convicção da inocência de Jesus, mas fez a opção por não se envolver, não arriscar a carreira, não ir além do mundo que conhecia. “Pilatos disse a Jesus: ´Então tu és rei?´ Jesus respondeu: ´Você está dizendo que eu sou rei. Eu nasci e vim ao mundo para dar testemunho da verdade. Todo aquele que está com a verdade, ouve a minha voz.´ Pilatos disse: ´O que é a verdade?´Ao dizer isso, Pilatos saiu ao encontro das autoridades dos judeus...” (Jo 18,37-38).

Lamentavelmente, é assim que o homem quer ser livre... As panelas cheias de carne, “os alhos e cebolas”, pão em fartura (Ex 16,3) falam mais forte do que os apelos da libertação. A história dum jovem rico, narrada pelo Evangelhos, também é quase idêntica. Quando ouviu que a liberdade tem o seu preço, e o preço muito alto, virou as costas e foi embora (Lc 19,16-30). É claro que seria bom ser livre se não custasse nada. Mas, tal “liberdade” não existe.

O homem moderno tem de se defrontar com o mesmo desafio de sempre. Deus dá a liberdade gratuitamente a todos, mas, para tornar-se realmente livre é necessário sair da escravidão, das “instalações” da vida que amarram (egoísmo, soberba, prepotência, vaidades, preguiça, apegos, etc).
Trocar a escravidão pela liberdade é uma decisão sem par. Sempre dará “prejuízo”, quanto a hierarquia dos valores vigente no nosso mundo. O homem que toma tal decisão acredita que existem valores maiores daqueles que podem ser vistos, pesados, medidos ou descritos. Acreditando no invisível é capaz de apostar no invisível, como um homem que encontrou um tesouro, mas invisível, escondido (Mt 13,44-46).

Sem dúvida para a geração hodierna o desprendimento é um verdadeiro muro. Para poucos, criados pelos pais responsáveis, a liberdade é uma atração, desejo e desafio. Eles realizam-se, humanamente e espiritualmente, nos exercícios que fortalecem a força da vontade, como: abnegação, sacríficos procedentes das incomodidades cotidianas, pontualidade, fidelidade, verdade. Não se satisfazem com qualquer coisa fácil, nem com a mediocridade. Sonham alto e procuram “voar” alto. Este tipo de gente faz a diferença no mundo. É capaz de construir um mundo novo, ou seja, uma civilização madura e responsável, uma civilização do amor, como canta nosso conhecido profeta moderno, Padre Zezinho.

A vida do homem livre não é fácil, por isso, não é atrativa ao mundo moderno. Fácil é ser escravo, pois o escravo não precisa de pensar e não tem possibilidade de fazer escolhas. Ele só pode fazer o que mandar seu senhor. Só obedece a quem o dominou, mesmo que tenha desejos contrários. A ninguém importam os seus pensamentos e sonhos. Ser escravo foi a sua escolha voluntária e, antes de se tornar livre novamente, não lhe resta nada mais que obedecer ao seu senhor.

O homem livre, ao invés, não pode viver à toa. Tem de fazer escolhas, tem de pensar o que é certo e o que não é, bem como prever as consequências de suas escolhas. Por isso, quem é livre precisa viver atentamente, o tempo todo, sempre. Sendo assim, não é surpreendido pelas tentações, ilusões ou perigos. E estes não faltam, como nos alerta a Sagrada Escritura: “Sede sóbrios e vigiai! Pois o diabo, que é o inimigo de vocês, os rodeia como um leão que ruge, procurando a quem devorar” (1Pd 5,8-9).

A Ressurreição de Jesus Cristo é universal. Jesus ressuscitando destruiu o Poder das Trevas e “desceu a mansão dos mortos” trazer todos a vida. O Seu desejo é salvar, libertar o mundo inteiro. Portanto, Cristo ressuscitou para salvar a mim, também. De que? Das minhas escravidões. Sobretudo das que não consigo enxergar, pois são mais perigosas. E elas existem, sim. Se eu insistir que não sou escravo de nada, então serei um mentiroso, enganando-se a se mesmo (1Jo 1,8). No entanto, se sou um escravo posso gritar como o cego Bartimeu de Jericó: “Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim!” Mc 10,47). Posso, ainda, imitar os leprosos de um povoado samaritano, que clamavam: “Jesus, Mestre, tem compaixão de nós!” (Lc 17,13). Deus vai me libertar prontamente, basta eu querer mesmo e estar disposto assumir as consequências da vida na liberdade, a minha “terra prometida”. “Foi para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gal 5,1).

Mesmo que não seja fácil ser livre, é preciso saber que, não é possível ser feliz não sendo livre. 



sábado, 15 de abril de 2017

Feliz Páscoa!

“Pelo batismo na sua morte, fomos sepultados com ele, para que, como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, assim também nós levemos uma vida nova” (Rom 6,4)

O Tempo de Páscoa é um momento de alegria pelo fato de que Jesus está vivo, ressuscitado e está conosco. 
Louvando a Deus pelo dom de Seu Filho - o Cordeiro Pascal e glorificando-O no grande milagre da Ressurreição, alegremo-nos com a Promessa que nos foi dada: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá” (J 11,25).

Que tenhamos esta fé, esperança e amor; o amor revelado por Jesus, o Deus da verdadeira alegria e paz, fluindo da  Sua Ressurreição.  Desejo, acima de tudo, uma profunda proximidade com Jesus ressuscitado.
Que o amor do Senhor Ressuscitado, o Cordeiro de Deus, fortaleça a fé e esperança, para confiarmos que qualquer dor nossa, fadiga ou queda, têm o seu sentido e a sua transformação em Deus. 
O Senhor Ressuscitado faça de todas essas experiências verdadeiros espaços de encontro e doação, de comunhão da Presença, do amor recíproco e do envio com a Boa Nova, aos que ainda estão à espera por testemunhas da Ressurreição.
Louvemos a Jesus no Seu Mistério da Ressurreição. Agradeçamos-lhe pelo Seu amor por nós e, peçamos fervorosamente a misericórdia de Deus, para nós e para o mundo inteiro.

Tenha uma feliz e abençoada Páscoa!

quarta-feira, 29 de março de 2017

Morte da Igreja - festa do demônio (III Parte)

Pastoral de "manutenção", padres "coveiros" e "encanadores", "heresia do ativismo" (Continuação)


Catequizar, tarefa urgente
A Igreja precisa de estatísticas e assembleias, sem dúvida. No entanto, isto não é o mais importante. Não deve estar na frente da evangelização efetiva. As estatísticos, reuniões, títulos honoríficos e incensos não refletem a verdade sobre a Igreja. Ela é muito mais do que as estruturas visíveis, muitas vezes debilitadas e ineficientes. A Igreja, em sua parte essencial é invisível. É O Corpo Místico de Cristo e Templo do Espírito Santo (Cl 1,18; 1Cor 6,19).
Muita “fumaça pastoral” está na moda. Nojenta e inútil fumaça, que engana, em vez de comunicar a Deus, como se queixa Deus através do profeta (Am 5,21; Is 1,14-15). É preciso fazer um sólido trabalho de evangelização e catequizar o povo para, assim, levá-lo a Deus.
Falar da evangelização não basta. Pois, quem vai fazer ela acontecer de fato? O Santo Antônio de Pádova disse, numa das suas homilias: “Cessem as palavras, falem as obras”. Quanto a isso, o próprio Jesus ordenou: “...ide e fazei com que todos os povos da terra se tornem discípulos meus” (Mt 28,19).
Não se deve insistir, a todo custo, na quantidade dos membros da Igreja, mas na qualidade, ou seja, dar a maior atenção àqueles que de verdade fazem a sua opção por Deus. A igreja repleta de crentes nas celebrações não reflete, necessariamente, a vivacidade da Comunidade eclesial, pois há vários meios para atrair, mas nem sempre para o Senhor... A não ser que se trate das “curas”, dos dízimos e ofertas...
Pessimismo? Exagero? Equivoco?
Tomara que fosse tudo isso. Como eu desejaria que tudo isso fosse um engano meu. Mas, infelizmente, os fatos falam por si mesmos. As pessoas que fazem o uso da razão, até as indiferentes religiosamente, não têm dúvida que a crise atual da Igreja deve encontrar uma adequada resposta, urgentemente, para ela não sucumbir. A Igreja ainda tem a moral, autoridade, mas a maioria maciça, dos que se dizem crentes, não comunga da mesma fonte, que constitui a moral cristã e força do testemunho da primazia de Deus, em toas as áreas de vida cotidiana. Hoje, a situação está piorando em comparação com o passado e assombrosamente soam as palavras de Jesus: “Mas, quando o Filho do Homem voltar, encontrará fé sobre a terra?” (Lc 18,8).
Parece que não está enxergando a morte da Igreja, gradual e sistemática, quem não quer enxerga-la, ou quem já foi enganado pelo Adversário, e com os óculos “cor-de-rosa” constata, que “tudo está bem, apenas o mundo está mudando, portanto, temos que compreender e nos adaptar...”. É, precisamente, isto que o Inimigo quer, que se creia que “tudo vai bem”. Que não se faça nada para modificar o quadro, que basta fazer maquiagens”. Se vai bem, então “por que esquentar”? Enfim, melhor não tocar o assunto, porque ainda poderia “acordar” algum novo são Francisco de Assis e perturbar a perfeita obra da desmontagem daquilo que “montou” o Homem de Nazaré, e o que ainda continua “incomodando o mundo”.
Uma Igreja que não se compromete, de fato, com a catequese e evangelização, não poucas vezes, “foge” para um campo alternativo, cujo lema seria: a “Igreja presente e atuante na sociedade”. Com isso, vai “batizando” e promovendo os valores sociais à custa do trabalho de evangelização.
Ninguém nega que é preciso promover estes valores e buscar a dignidade da vida. Mas, a primeira necessidade não seria voltar a maior atenção à vida da própria Igreja? Se ela não tiver vigor autêntico, ancorado em Deus vivo, ela não será capaz de promover efetivamente aqueles valores que eu chamei de “substitutos do essencial”. Haverá frustração recíproca...
O que fazer?
Fazer a evangelização acontecer, para valer. Deve ser dito claramente que não basta deixar o pecado (Mt 12,43-45) ou fazer o bem. É preciso ter a fé. Não são as obras que salvam (Ef 2,8-10), mas a fé, o que sempre apontava Jesus Cristo (Mc 5,34; Lc 8,40-56; Mt 9,18-26). É claro que não existe a fé viva sem as obras (Tg 2,15ss), mas elas devem ser fruto da fé, devem “nascer da fé”. Porque, pode-se fazer o bem e não ter fé. Quanta gente neste mundo faz coisas boas e não tem fé em Jesus Cristo?! Também, pode-se rezar e não ter fé. - “Credo! Rezar e não ter fé?! Mas, é claro que reza tem fé!”. Infelizmente muitos rezam sem terem a fé. A oração, novenas, Missas podem ser tratadas como meios para conseguir um benefício, “arrancar” de Deus as graças necessitadas. Tornam-se como que amuletos que protegem do mal e através dos quais se procura obter a benevolência de Deus.
Que preço você estaria disposto a pagar para salvar a Igreja do Senhor? Sair das instalações e assumir a fé, como Abraão, Moisés, José, Francisco de Assis? Oferecer suas orações, seus sacríficos cotidianos pela santificação da Igreja? A sua contribuição material como apoio a obra da evangelização (catequese, retiros em regime fechado, materiais)? Ou, então prefere deixar que “os outros” (melhor preparados, com mais tempo, mais recursos) resolvam isto? Ou, ainda, vai optar por “não mexer” com isso aí, porque “alguém pode não gostar”, pode incomodar alguém... Será, que Jesus agiria assim? Ele que com fúria expulsou os negociantes, para purificar o tempo (de pedras) de Deus? (Mt 21,12-13).
Então está na hora de proclamar a mobilização geral! Se amamos a Jesus Cristo não nos pode ficar indiferente a Sua Causa, o Seu Corpo Místico (Col, 1,18; 1Cor 12,12), a Sua Igreja, Mãe que nos deu a vida através do sacramento do Batismo.
Você lembra aquela historinha da floresta em chamas, que conta como todos os seus moradores correm para si salvar, menos um pequeno passarinho, que tenta apagar o incêndio “carregando” a água em seu biquinho? Quando contestado que não vai conseguir, que isto não tem sentido, ele responde: Não importa. Estou fazendo a minha parte”...  É assim, cada um deve fazer o que pode, o que está no seu alcance, contribuir da maneira que lhe é possível. Importa que haja a responsabilidade e ações concretas. Acreditar que “um pouco” faz a diferença...

Morte da Igreja - festa do demônio (II Parte)

Pastoral de "manutenção", padres "coveiros" e "encanadores", "heresia do ativismo" (Continuação)


Pastoral de “manutenção”.
O que se percebe hoje, e o que causa a dor e a tristeza, que as “iniciativas pastorais” são teóricas ou, voltadas meramente, ao “ajuntamento de pessoas” e visam sustentar as estruturas que ainda sobraram da Igreja viva. Em vez da criatividade e iniciativas concretas de reorganização diante da complexidade de mudanças, que vêm acontecendo no mundo, alimenta-se e sustenta as estruturas ultrapassadas e sem a vida, convencendo-se que “melhor fazer pouco do que nada”. A motivação para desenvolver este trabalho de sustentação dá um fato que “a igreja está cheia”. Ainda cheia...
Mas, se esse “serviço”, que não faz crescer a vida e não comunica a vida, for um engano? Sim, pode-se enganar aqueles que vivem tal fé (rotineira, morna, desmotivada) e, também, o mundo, que precisa da esperança [Jo 12,20-21]. Isto acontece quando se propõe e realiza modelos pastorais opostos ao espírito do Evangelho Vivo. Assim, se deturpa a Verdade e se contribui para a multiplicação das caricaturas. Por que não nos perguntarmos em que, realmente, se apoia a esperança dos nossos crentes? Provavelmente seria assustador, para muitos “agentes de pastoral”, ao descobrirem qual é a porcentagem dos participantes dos cultos que “enchem” a igreja pelo hábito e não pela fé.
Sem dúvida, é mais cômodo não enxergar as “rachaduras” e fundamentos frágeis, malfeitos, porque, assim, se evita remorsos e inquietude. “Tampar as rachaduras”, “escorar as estruturas defeituosas”, eis um “bom trabalho”. Escoramentos por toda parte.... Será que os escoramentos garantem a segurança? Por quanto tempo? A não ser que o importante seja o efeito perceptível. Este tipo de “pastoral” Jesus Cristo chamaria de pintar as fachadas ou pintar “sepulcros caiados (Mt 23,27), que só ficam bonitos por fora... “Pintar as fachadas” é bastante atrativo porque é rápido, barato e “dá o IBOPE”. O problema é que, também, inevitavelmente, fabrica “caricaturas religiosas” e “adeptos do Inferno”.
De qualquer ponto de vista o trabalho “pastoral de manutenção” é insensato. A Igreja é a vida! Ela está caminhando, pelo “deserto do desamor do mundo” e tem de acompanhar a evolução de mundo e as suas mudanças. Não pode ser estática. Assim, como vida é dinâmica e se desenvolve constantemente, assim, também a Igreja deve ser dinâmica, missionária, deve ser ansiosa para se expandir, comunicando a vida, como o rio da profecia de Ezequiel (Ez 47,1-9.12). O que está acontecendo é contra a natureza da Igreja. A “pastoral da manutenção” é contra a sua natureza. Não se pode cultivar um saudosismo do passado, porque o que passou, passou. Não vai voltar mais. E ainda pior, pode trazer efeitos não desejáveis (Num 11,4-6).
Todos conhecem os Evangelhos e as orientações de Jesus, que ensinava e chamava a buscar o Reino de Deus em primeiro lugar” (Mt 6,33). No entanto, insiste-se em aplicar próprias “normas”, diluindo assim, o fermento evangélico em vez de ajudar na conversão e adesão ao Projeto de Deus. Deste modo, são como “crianças na praça”, carentes e caprichosas: "A que, pois, compararei os homens da presente geração, e a que são eles semelhantes? São semelhantes a meninos que, sentados na praça, gritam uns para os outros: Nós vos tocamos flauta, e não dançastes; entoamos lamentações, e não chorastes" (Lc 7,31-32).
Padres “coveiros” e padres encanadores
Me perdoem a expressão a seguir, mas eu chamaria, o maior grupo de sacerdotes de hoje (“obreiros” por excelência), de “padres coveiros”. Tais padres, os “coveiros”, preocupam-se em manter as covas bonitas, ou seja, “pintam os sepulcros”, protegem os relictos pastorais sem vida, orgulham-se com a quantidade destes “relictos” e fazem neles a “cosmética pastoral”.
Este trabalho constitui inquestionável razão do seu ministério. Os “coveiros” não têm interesse de “limpar os sepulcros”, reformar as estruturas ultrapassadas e sem vida, pois isto lhes renderia muito esforço, poucos efeitos visíveis, insatisfação dos “donos dos sepulcros” e “maus-olhares”. Além disso, dizem que “não há ordem do bispo”, não há disposições concretas, melhor “ficar quieto”... É óbvio que é fácil celebrar os sacramentos, dar consolos “baratos” (não se preocupe, vai dar certo) e conselhos ineficientes (reze “mais”, faça a novena de...).
Será que este é um trabalho evangélico ou anti-evangélico? O Cristo vivo mandou ressuscitar os mortos, não “maquiar sepulcros”:  “Curai enfermos, purificai leprosos, ressuscitai mortos, expulsai demônios. Gratuitamente recebestes, gratuitamente deveis dar” (Mt 10,8). Quando se anuncia e conduz ao Cristo ressuscitado, os mortos espiritualmente realmente ressuscitam das trevas dos seus sepulcros, que são vícios e pecados (Mt 27,52-53).
A Igreja, sobretudo hoje, necessita de “padres encanadores”, inquietos e criativos, que incansavelmente vão se dedicar revitalizar a “canalização que comunica a Vida”, para “limpar os canos da Graça de Deus” entupidos pelo comodismo, maus hábitos, tradições folclóricas e, enfim, falta de fé. Este tipo de padres, também, vai “instalar” novas, mais adequadas “redes de água Viva”, para levar os crentes da Igreja ao revigoramento e a retomada da sua consciência e missão (Mc 6,7-11).
Há muito fermento bom entre os sacerdotes, mas eles precisam de determinação e coragem de serem “encanadores” e não populistas, “sacramentalistas”, “midiáticos” ou simplesmente carreiristas. O cristão não deve agradar a ninguém, a não ser somente a Deus (Gal 1,10; Mt 6,24). A vida do próprio Jesus Cristo, “Encanador por excelência” pode inspirar e motivar a quem pretende viver fazendo a vontade de Deus.
“Quem não está comigo, está contra mim; e aquele que comigo não colhe, espalha” (Mt 12,30).
A Igreja e poder sobre o Inferno
Diante da afirmação que a Igreja está morrendo, alguém pode questionar: “Ora, Jesus Cristo não garantiu que a Sua Igreja nunca será vencida”? É verdade. Garantiu. Ele não disse, que “o poder do Inferno não poderá vencê-la” (Mt 16,18). Não garantiu que os Seus amigos, a quem deu todas as chaves do Reino, não podem vendê-la por “30 moedas de prata (Mt 26,15).

O mal que vem de fora não tem poder para vencer a Igreja, mas o mal que nasce dentro dela, este sim, destrói (Mc 7,21; Mt 15,19). Basta lançar um olhar à história da Igreja, para ver que quase todas as rixas, divisões, escândalos (a começar pelas heresias dos primeiros séculos, passando por padre Martinho Lutero e chegando ao arcebispo Marcel Lefebvre) foram causados pelos “amigos de Jesus”, homens da Igreja. 
(Continuará)

Morte da Igreja - festa do demônio (I Parte)

Pastoral de “manutenção”, padres “coveiros” e encanadores, “heresia do ativismo”
A finalidade desta reflexão está longe da pretensão de “ser um oráculo” ou um “dono da verdade”. Tenho a consciência de que estou abordando um assunto polêmico. Não me importo se alguém vai concordar ou discordar. Venho para contestar, questionar, provocar a reflexão e discussão. Tomara, que haja qualquer reação, para o que escrevi, mesmo de irritação ou indignação. Com efeito, a Igreja precisa de refletir sobre a sua identidade e retomar a sua consciência de Igreja Missionária. Cada um dos crentes deve assumir o papel que lhe é próprio. Cada um deve fazer a sua parte.
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O Concílio Vat.II lembrou que a Igreja foi fundada não para servir, para ser “sacramento da graça para o mundo. A salvação é Cristo, luz dos povos. A Igreja, é sacramento dessa luz que ilumina todo o homem. Por isso, “como Cristo realizou a obra da redenção na pobreza e na perseguição, assim a Igreja é chamada a seguir pelo mesmo caminho para comunicar aos homens os frutos da salvação (LG, 8).
Afirmação subjetiva?
A Igreja está morrendo. Vamos tentar “salvar” a Igreja que é sacramento da nossa salvação? - - Mas, salvar de que? - Da morte, mesmo. Ela está morrendo e vários sinais (indiferença, falta temor a Deus, de vida de oração, de paixão pela evangelização e catequese, bem como idolatria disfarçada de comportamentos religiosos) confirmam este fato. As crises diversas alastram-se pelo mundo inteiro (dessacralização, descristianização, crise de valores, vazio existencial). E, também a Igreja, a Obra de Deus no mundo dos homens, não “escapou” da crise.
Toda crise pode trazer efeitos benéficos, mas precisa ser enfrentada adequadamente. Não se pode banalizar os problemas ou, “varre-los para debaixo do tapete”. Pelo que se pode notar, hoje, somente o Papa Francisco, corajosamente se desdobra para encontrar as soluções das crises e orientar a Igreja para o caminho da vida. Muitos parecem não entender o que pretende este homem de Deus, ou fazem-lhe resistência. Enquanto isso, os sinais de morte se multiplicam assustadamente.
A Igreja está morrendo
A Igreja está morrendo, acredite se quiser. A morte, acontece com o consentimento e aprovação de quase todos os crentes, a começar pelas autoridades eclesiásticas. Para precisar, quero dizer que não se trata das estatísticas que mostram a evasão dos crentes para outras denominações cristãs ou para a indiferença religiosa. Trata-se da qualidade de vida interior e da força de fé daqueles que se identificam com a Igreja e “fazem parte” dela. Daqueles, que frequentam Cultos e (sic!) deixam-se “sacramentalizar” (porque “acumulam os Sacramentos”, recebem-nos, mas não os vivenciam e não tiram proveito, além duma satisfação momentânea).
Em 99% do “crentes” (o cálculo é meu) não há vida de fé! Parecem perdidos e nem sabem o que fazer, até mesmo dentro do templo, quando vêm para celebrar os Sacramentos (tagarelam, mexem nos celulares, observam e examinam toda pessoa que entra, ou sai, etc). A falta de vigor e motivação, revela a tremenda ignorância religiosa(!). Ao mesmo tempo, nota-se uma estranha resistência ao conhecimento, até mesmo, dos princípios da fé. A grande maioria contenta-se com o mínimo. Tem hábitos religiosos, mas não têm fé. Basta “estar na Missa”, mesmo falhando, e confessar, de vez em quando, para se sentir “um bom cristão”. E para ser um bom cristão, também basta?
Ora, as práticas religiosas oriundas da ignorância, na verdade, devem ser chamadas de paganismo ou superstição, porque são apenas revestidas de aparência cristã. Não pode servir como justificação o fato de forem ensinados, desde a infância, “ir à igreja”, repetir formulas de orações, e praticar outros atos, que geralmente se identifica com a pertença a uma religião. Não serve, porque hoje há muitas fontes nas quais se pode adquirir e aprofundar o conhecimento.
Pois bem, a Igreja evangeliza, catequiza, celebra e... o “paganismo religioso”, em vez de diminuir, aumenta. Tem alguma coisa errada.
Se eu disse que a Igreja está morrendo, foi porque sou sacerdote desta Igreja, já alguns anos, e tenho possibilidade de ver o seu caminho descente, em vez de crescente. Confesso, que não conheço nenhuma estratégia atual (diocesana ou nacional) e concreta que, em línea reta, vise ressurgimento, renascimento, religação da Igreja ao tronco da Videira Verdadeira (Jo 15,1-5). Sim, existem as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, publicadas a cada quatro anos (as últimas são para quatriênio 2015-2019). Sem dúvida elas têm valor. É um programa. Mesmo não sendo perfeito, mas é um programa que, talvez, faria a diferença se fosse realizado.... Se houvesse interesse, ao menos conhece-lo.
A “heresia do ativismo”
As comunidades eclesiais são compostas de diversas pastorais e movimentos, aonde deve pulsar a vida cristã e deve ser cultivado desejo de comunicar a fé, tomar concretas iniciativas que levam ao crescimento espiritual e ensinar os outros a levar a via cristã. Não quero generalizar, mas dificilmente pode-se encontrar um Grupo da Igreja, que viva a fé e que pode ser indicado, como um espaço do verdadeiro encontro com Deus, para onde podem se dirigir as pessoas que O procuram.
Em geral, as Pastorais e Movimentos são, até, capazes na organização dos encontros (ECC, Segue-Me, etc.), porque há documentos, que minuciosamente, passo por passo, instruem como fazer isto. Assim, capacitam os “agentes” que sabem fazer, conforme ordenam os documentos, mas entender o sentido e o objetivo, muitas vezes, já é um outro problema. Estes trabalhos de “evangelização e pastoral” atraem, porque “tudo está no prato”, não precisa pensar, mas “ser fiel aos documentos”. Além disso, tais agentes se realizam através das atividades concretas, estruturas, funções, equipes. Porém, depois do evento, a euforia e os sentimentos vão passando e, o vazio var reaparecendo...
Deve-se aproveitar aquele despertar, após um evento de evangelização, para dar a formação sistemática, não necessariamente chamada de catequese, mas efetivamente sólida no ensinamento do seguimento de Jesus Cristo, pois nisto é que consiste a vida cristã. Há quem vai me dizer: “mas isto já temos no...” (cita o nome do movimento). Sim, temos, mas, infelizmente, “no papel”. Você já acompanhou algumas vezes estas formações “pós encontro”? Viu a qualidade? Viu efeitos? Viu a convicção dos que o dirigem? È..., tem muito a fazer.
As Pastorais e Movimentos da Igreja deveriam “produzir” obreiros (pessoas comprometidas com a Obra do Reino de Deus), isto é: catequistas, missionários, agentes de apoio... Enquanto isso, se vê muita “fumaça”... Encontros, congressos, eventos, reuniões, etc. – “Ai meus Deus, quanto trabalho!
As iniciativas, a criatividade, a inquietude pastoral são sinais de vitalidade da Igreja. Enfim, assim vivia Jesus Cristo e, assim, ensinava aos seus seguidores, o que bem expressa evangelista Marcos: “Jesus percorria os povoados da redondeza e ensinava. Chamou os Doze e começou a enviá-los dois a dois, dando-lhes poder sobre os espíritos impuros. Recomendou-lhes que não levassem para a viagem nada mais do que um bastão; nem pão, nem sacola, nem dinheiro no cinto. Podiam estar calçados de sandálias, mas não deviam usar duas túnicas. E lhes dizia: “Quando entrardes numa casa, ficai nela até irdes embora. Se em algum lugar não vos receberem nem vos escutarem, ao sairdes de lá, sacudi a poeira dos pés...” (Mc 6,7-11). Estas outras orientações de Jesus são voltadas ao objetivo, de levar as pessoas a tomarem uma decisão, aceitar ou não aceitar o convite à conversão. Quem não o aceitar deve ser respeitado na sua liberdade.
(Continuará)